Biópsia sem trauma
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quinta-feira, 11 de maio de 2000
Da Redação 
Encontrar um nódulo no seio pode ser uma experiência traumática. A primeira coisa que vem à mente é tenho câncer e vou morrer. Não é bem assim. Detectar o tumor a tempo é crucial. É por isso que há um contínuo desenvolvimento de novas técnicas, melhorando o processo de detecção de câncer de mama. A tecnologia utilizada na área de diagnósticos para a saúde da mulher resulta em um grande avanço na preservação da estética e da auto-estima. O momento do diagnóstico é o mais angustiante no processo de tratamento do câncer de mama, afirma a psicóloga Juliana Toledo de Abreu, da Unidade de Mastodologia do Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Quanto mais suave for o momento do diagnóstico, e mais leve for o exame, melhor para ela, pois a ansiedade desse momento é muito grande. Um dos grandes problemas das mulheres que se submetem à biópsia aberta é a agressão estética, mutiladora, diz.
No entanto, a tecnologia utilizada neste fim de século oferece à mulher o direito de poupar seu corpo e enfrentar com mais serenidade as etapas de luta contra o câncer de mama. Entre as novidades tecnológicas lançadas no Brasil recentemente está o Mammotome, que utiliza um método minimamente invasivo de biópsia, com capacidade para fazer um diagnóstico precoce de câncer de mama. Mas grande parte das pacientes que chegam ao Hospital já vêm com o câncer em estado mais avançado, o que exige cirurgia lembra Juliana.
Amostragem de tecido Os médicos consideram importante que as mulheres saibam como podem fazer um diagnóstico de câncer de mama de forma menos traumática. Para o ginecologista José Aristodemo Pinotti, de São Paulo, somente nos últimos anos é que houve um maior desenvolvimento de novas técnicas de amostragem de tecido, sem a necessidade de cirurgia. Para cada método de biópsia que dispomos hoje, guiados ou não por ecografia ou mamografia, há indicações precisas. Entretanto, o que é importante é a quantidade de tecido retirado, que é muito maior com o Mammotome do que nas outras técnicas. Além disso, com esse aparelho, o procedimento se realiza com uma só punção, ou seja, a agulha é introduzida uma só vez na mama, tornando-o muito menos incômodo e mais eficiente, observa Pinotti. E o Mammotome consegue fazer uma biópsia acertada mesmo que haja microcalcificações de menos de 1 mm de diâmetro.
Na área de tratamento do câncer de mama também tem havido grandes progressos. Alguns cientistas estão investigando o processo de disseminação dessa doença para os gânglios linfáticos axilares. Uma vez que se identifique o gânglio sentinela, eles crêem que podem dizer se o câncer foi disseminado ou não. Se pesquisas futuras comprovarem essa teoria, o estudo desse gânglio poderá evitar a dissecação de todos os nódulos axilares. Também se explora a possibilidade de aplicar anticorpos monoclonais, vacinas para reforçar o sistema imunológico, métodos que bloqueiem a passagem de sangue infectado com câncer até a utilização de quimioterapia para tratar de encolher o tumor.
Fonte: Womens Health/Johnson & Johnson


