Bichos alternativos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de dezembro de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Téo teve uma intoxicação hepática e curou o problema com quatro sessões de acupuntura. Kika teve catarata em um dos olhos e evitou que a doença avançasse no outro olho graças à fitoterapia. Lana usou remédios de origem natural para tratar uma gastrite e hoje toma remédios homeopáticos para controlar o temperamento agitado.
Com a popularização dos tratamentos considerados alternativos, essas histórias seriam completamente normais. Mas todas elas tratam de animais domésticos, mais especificamente cães que encontram nas plantas e na medicina chinesa a cura para males diversos. Assim como acontece com os humanos, a homeopatia, fitoterapia e acupuntura estão invadindo os consultórios veterinários.
A tendência nos tratamentos hoje é o uso de medicamentos não alopáticos e técnicas menos invasivas, devido aos efeitos colaterais e riscos que eles oferecem. Claro que as possibilidades alternativas nem sempre oferecem a cura para uma doença, mas elas podem melhorar muito a qualidade de vida de um animal e diminuir a necessidade do uso de outros remédios, diz a veterinária Angélica Massumi Ito Komura, que trabalha com medicamentos fitoterápicos e naturais, principalmente o Aloe vera e derivados de colméias de abelhas.
Os orientais acreditam muito no poder da Aloe vera, que é antiinflamatório, antioxidante, desintoxicante, digestivo, anestésico, nutritivo e energético, entre outras indicações. É uma substância muito boa para tratamento de problemas de pele, urinários, dentários, de articulação e respiratórios, além de preventivo. Já os derivados de colméias são bastante nutritivos, ricos em vitaminas, afirma. Os medicamentos podem ser usados em forma de cápsula, líquido, gel para ingestão ou uso tópico e também suco, no caso de Aloe vera.
O tratamento com os fitoterápicos funciona de maneira parecida com a homeopatia, que trata o corpo como um todo, levando em conta a energia vital que todo ser vivo possui. Sejam quais forem as classificações zoológicas das espécies animais, todas são passíveis de tratamento com medicamentos homeopáticos. A prática tem demonstrado a eficácia desse tratamento em cães, gatos, aves de quaisquer espécies, ovinos, caprinos, eqüinos, bovinos, silvestres de todas as espécies, rãs, peixes, abelhas, dentre outros, comenta a veterinária Juliana Elisa Silva, que trabalha com a homeopatia.
Segundo esse sitema, o corpo adoece devido a um desequilíbrio da energia e demonstra isso em algum sintoma, que é a doença. O trabalho da homeopatia é equilibrar essa energia usando o princípio da semelhança, que usa a substância que causa determinado sintoma, de forma muito diluída, para curar esse mesmo sintoma. Para o tratamento ter um bom resultado, é preciso a ajuda do dono para investigar o animal. Precisamos saber o histórico do bicho, a rotina, o comportamento e os problemas físicos. A partir daí é possível encontrar o tratamento mais adequado, explica a veterinária.
Feitos em forma de líquido ou glóbulos açucarados, os remédios homeopáticos servem para problemas físicos e também de comportamento. Ao contrário do que muita gente pensa, o tratamento é rápido e os resultados são bons. Mas em alguns casos pode ser necessário voltar a usar o medicamento no futuro por causa de algum outro problema. Não há contra-indicações e nem efeitos colaterais, garante Juliana.
Acupuntura
Outra terapia que tem se mostrado extremamente eficiente no tratamento de doenças em animais, inclusive casos mais sérios como artrites, artroses e displasias coxofemorais é a acupuntura. De acordo com o veterinário Rodrigo Gusmão, a técnica para animais funciona da mesma maneira e é tão antiga quanto em humanos. Na China usavaam a acupuntura em animais desde que ela surgiu. O que se faz é uma sobreposição dos pontos do corpo humano para o corpo dos animais, explica.
Além das doenças articulares, onde a acupuntura é capaz de devolver o movimento a animais paralisados, segundo o especialista, ela é indicada também para tratamentos do sistema renal, problemas dermatológicos, alergias, pancreatites e para aliviar animais com câncer. As agulhas reequilibram a energia corporal e liberam substâncias que eliminam a dor. Em alguns casos elas são usadas como coadjuvantes, em outros a técnica elimina a necessidade de medicamentos alopáticos, principalmente para dor, afirma Rodrigo.
O tratamento é feito uma vez por semana, com 20 minutos de duração em média. Depois, a freqüência vai caindo. Geralmente com dois meses de tratamento já é possível ver uma grande melhora, garante.
E para quem acha impossível aplicar agulhas no corpo de um cão ou gato, o veterinário lembra que as aplicações não causam dor ou desconforto mas, em algumas situações, é possível fazer o mesmo tratamento com outras técnicas. Alguns animais não aceitam e então usamos os bastões de moxa (bastões de ervas que são aquecidos e passados ao redor dos pontos da acupuntura, dando o mesmo resultado) ou a laserpuntura (feita com aparelho de ondas de laser lançadas sobre os pontos), comenta.
O veterinário também utiliza as técnicas de eletroacupuntura, que usa estímulos elétricos nas agulhas, farmacopuntura (complexos vitamínicos aplicados nos pontos de acupuntura), homeopuntura, que é a aplicação de remédios homeopáticos, e a hemopuntura, que injeta pequenas quantidades de sangue do animal nos pontos de tratamento. Cada técnica tem um fim e é possível fazer a combinação de mais de uma delas, afirma Rodrigo. (H.F.)


