Bicho também fica doente
Cachorro e gato sentem frio? Sim, e como! Saiba como proteger os animais
de pequeno porte e evitar doenças típicas desta época do ano
Francelino França

Ração balanceada, vacinação, ingestão de líquidos e vermífugos são as
principais medidas para evitar doençasChuva, vento, frio e variaçäes bruscas de temperatura. Estas são condiçäes
favoráveis para a instalação de doenças respiratórias nos animais de pequeno
porte, principalmente cães e gatos. Algumas doenças relacionadas ao inverno
atacam notadamente os cães de guarda, porque são animais que ficam mais
expostos às variaçäes climáticas.
Para evitar alguns dos males que acometem esses animais, o médico
veterinário Ricardo Barros alerta aos proprietários que observem os sintomas
de algumas doenças que surgem comumente nos dias mais frios. No caso dos
cães, ele sugere ao dono observar quando o animal apresenta tosse seca e
prolongada durante o dia, inflamação na região dos gânglios situados na
garganta, corrimento nasal e dificuldades para se alimentar - estes podem ser
os sinais de uma infecção pulmonar. ‘‘Cachorro e gato sentem
frio. Por isso, eles devem ficar em locais protegidos e não expostos à variação
de temperatura. Os cães que ficam dentro de casa, geralmente, estão mais
protegidos, inclusive com roupas’’ afirma.
Outras patologias também recorrentes nos animais de pequeno porte são a
inflamação dos gânglios e a otite (inflamação dos ouvidos). Nesta, o cão vai
denunciar a presença da enfermidade coçando repetidamente as orelhas, vai
chacoalhar a cabeça e pendê-la para o lado do ouvido que está doendo.
Ricardo Barros alerta aos donos de cães de guarda ou mesmo aqueles que
vivem soltos, que eles evitem deixá-los com o pêlo molhado em dias
chuvosos. Isso predispäe ao aparecimento de doenças respiratórias e
dermatites. ‘‘Os fungos alojados nos cães podem ser
transmitidos ao homem’’, adverte o veterinário. Os gatos se
protegem melhor que os cães, apesar de ser mais predispostos a doenças
respiratórias.
Roedores A chuva pode trazer uma doença muito perigosa, a leptospirose,
transmitida pela urina do rato. O roedor coloca os dejetos na comida e na
água. O cão pode contrair a doença ingerindo essa água. Evitar deixar
recipientes com comida e água desprotegidos, aplicar as vacinas necessárias e
controlar os roedores no ambiente são soluçäes apontadas por Ricardo
Barros.
‘‘Se o animal tiver boa alimentação e vacinação em dia, o nível
de defesa orgânica é mais acentuado e ele fica mais resistente a essas doenças.
Barros recomenda também o uso de roupas nos animais de pequeno porte,
feitas de algodão, já que as roupinhas feitas de lã potencializam as alergias de
pele.
Outro aspecto sobre o inverno se relaciona à frequência dos banhos nos
animais. De acordo com a orientação do veterinário, é bom evitar banhos
seguidos. O ideal é o banho quinzenal. Caso haja necessidade de mais banhos,
que sejam feitos em clínica especializada, para que o animal não fique com o
pêlo úmido. ‘‘A pelagem reflete as condiçäes de vida do
animal’’, considera o veterinário. Outra observação do
especialista se refere ao aparecimento de pulgas e carrapatos. Nos dias de
temperatura mais elevada e de chuva, há uma infestação desses parasitas. A
boa nutrição, escovação e banhos menos frequentes combatem os indesejados
parasitas.
Algumas raças são mais suceptíveis às doenças de inverno. Cães chamados
de bracocefálicos como o boxer, o buldogue e o pequinês são mais
predispostos a doenças do aparelho respiratório. As raças de pêlo longo
(collie, poodle, gato persa) apresentam uma tendência maior a dermatites e
fungos, principalmente quando ficam com a pelagem umedecida.
‘‘Todo caso infeccioso exige cuidados. Ao perceber alguma
alteração, não fazer medicação por conta própria. Se o dono trata em casa
com antibiótico e depois leva ao veterinário, ele está colocando em risco a
vida do animal’’, condena Barros. Outra observação do
veterinário é que ‘‘remédio pra gente não serve ao
animal’’. Ele afirma que esse procedimento de medicação por
conta própria com antiinflamatórios leva ao surgimento de gastrite e úlcera, e
também a quadros de intoxicação. Muitas vezes, levando o animal
diretamente ao veterinário, acaba-se gastando menos do tratando ele em
casa.
Resumindo, Ricardo Barros afirma que as principais medidas para evitar as
doenças de inverno estão contidas na ração balanceada, na vacinação, na
ingestão de líquidos e vermífugos. ‘‘Assim, o organismo fica
mais protegido dos agentes invasores’’, pondera. Outra dica é a
proteção do animal em caso de chuva, principalmente àqueles que vivem
soltos.n

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