Com um título intrigante e conteúdo envolvente, a médica alemã Giulia Enders viu seu primeiro livro se tornar um best-seller não só no seu país, como no mundo inteiro. Com mais de um milhão e meio de exemplares vendidos desde que foi lançado, em 2014, "O Discreto Charme do Intestino" ganhou a versão brasileira no ano passado.

Para a autora, o assunto foi tomando forma em 2007, quando contraiu uma doença misteriosa e que a fez pesquisar por conta própria. Por instinto, se convenceu que seu problema tinha a ver com o intestino. Muniu-se de probióticos e suplementos minerais e ficou curada das feridas que apareceram em sua pele. Dois anos depois, entrou para a faculdade de medicina. Mesmo formada não parou de estudar, seu doutorado é em microbiologia.

"A influência do intestino na saúde e no bem-estar é um dos novos rumos da pesquisa do nosso tempo! Rob Knight, renomado bioquímico americano, disse à revista Nature que ela é tão promissora quanto a pesquisa sobre células-tronco", escreve Giulia. "Durante a faculdade, percebi como essa área é negligenciada na medicina. No entanto, o intestino é um órgão excepcional. Ele forma dois terços do sistema imunológico, tira energia de sanduíches ou salsichas de tofu e produz mais de 20 hormônios próprios", completa.

Giulia diz que o objetivo do livro é "facilitar o acesso ao conhecimento e, ao mesmo tempo, divulgar o que os cientistas escrevem em seus trabalhos de pesquisa ou discutem atrás das portas nos congressos". Em termos práticos, um dos capítulos ensina o leitor qual a melhor posição para evacuar. "É uma posição conveniente sobretudo quando a evacuação não é das mais fáceis: basta inclinar o tronco para a frente e colocar os pés sobre um banquinho. Voilá: com tudo no ângulo certo, dá para ler, fazer dobraduras e fitar a parede com a consciência tranquila", ensina. (K.M.)

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