Bem dobradinho
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quinta-feira, 09 de março de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Sobre as mesas improvisadas repousam milhares de quadrados coloridos de papel. Mas bastam alguns movimentos firmes de dedos pacientes para que os papéis ganhem nova função. Uns se tornam coelhos, outros macacos. Mas há os que preferem se transformar em cestas e sombrinhas.
Em sua primeira oficina longe de casa, o grupo Origami Assahi, de Assaí, trouxe para Londrina muitos papéis, idéias e vontade de ensinar. A Praça de Alimentação do Catuaí Shopping se transformou em sala de aula para quem quisesse aprender. Na semana passada, a jovem Luciana Torres Chahin, 11 anos, foi uma das primeiras a se aventurar no mundo de papel. E ela foi direto para um dos trabalhos mais complexos, o origami modular, que usa a união de pequenas dobraduras de papel em formas encantadoras, como a do urso panda.
Atenta aos ensinamentos do origamista, Luciana conseguiu montar um cisne com módulos, que podem ser de papel reciclado de páginas de revista. ''Não tinha a mínima idéia de como era feito. Achei que fosse mais difícil. É só ter paciência e tempo'', explica a garota, antes de partir para um novo desafio: aprender a fazer uma borboleta.
Loiro e de olhos claros, o educador Manuel Silva está longe do padrão nipônico associado ao origami. Mas ele, que é o idealizador e coordenador da associação, tem na ponta da língua as origens da arte da dobradura em papel. ''Ori vem de oru, que significa dobradura, e gami vem de kami, que significa papel em japonês'', ensina Silva, que aprendeu a arte na infância cercada de amigos de ascendência japonesa. Mas foi quando morou nos Estados Unidos que teve acesso maior ao origami. ''Há quatro anos fui para Assaí, e para mim lá é o paraíso'', afirma o educador, que não esconde a paixão pela cultura nipônica.
''O origami não tem limite de idade, sexo, cor ou nível social. É totalmente irrestrito. Começou elitista na China, séculos atrás, quando o papel era muito caro'', lembra Silva. ''Mas foram os japoneses que difundiram a arte da dobradura mundo afora'', acrescenta.
De acordo com o educador, o origami serve como terapia e ainda desenvolve a noção cognitiva espacial, concentração e memorização, já que muitos origamistas fazem suas dobraduras sem precisar consultar os livros a toda hora. Só mesmo se for para aprender algo novo, como aconteceu com pequena Meire Yuka Ueno, 8 anos. A caçulinha da associação diz que já sabe fazer uns 20 origamis entre os que aprendeu com a sensei (professora) e com os livros. Durante a oficina ensinou a fazer um simpático coelhinho, que reproduz em poucos minutos. ''O mais difícil é fazer o morcego'', avisa.
O associação de origamistas promove três tipos de oficinas, a pública (como a que aconteceu no Catuaí), a específica, direcionada a educadores e acadêmicos de matemática e geometria, e a institucional, que pode atender tanto empresas quanto escolas. Além dos conceitos geométricos um origami sempre começa com um quadrado , as oficinas também desenvolvem o lado psicomotor e ainda difundem a cultura japonesa.
Para quem tem acesso à internet, o site da associação www.origamiassahi.com.br tem links para endereços virtuais com diagramas passo a passo. O www.origami.com divide os origamis em simples, intermediários e complexos. Tudo em em inglês, mas na maioria das vezes não é preciso saber o idioma. O origami é universal.


