‘‘No esforço de fugir à mata obscura, bromélias em família buscam luz, em suas folhas uma gota d’água, puro diamante líquido, reluz’’, escreveu Carlos Drummond Andrade sobre esta flor bela e misteriosa. O paisagista Burle Marx, outro grande poeta, mas da natureza, foi o primeiro a utilizar a planta em seus projetos paisagísticos. ‘‘Um país tão rico em bromélias não pode deixar de usá-las’’, dizia o mestre.
Para o agrônomo e paisagista londrinense Ricardo Armando, a bromélia é o gato do reino vegetal. ‘‘Ela é arredia, misteriosa e tem vida independente’’, diz ele, que a exemplo de Burle Marx também gosta de usar a flor em projetos ornamentais. ‘‘Ela faz a diferença em um jardim pela sua tropicalidade e cores únicas. A bromélia por si só é uma paisagista nata. Em uma mesma flor, ela mistura duas cores constratantes como o vermelho e o amarelo de forma harmônica. O azul metálico de alguns espécies não é encontrado em nenhuma outra flor’’, afirma Ricardo Armando.
Mas talvez quem melhor definiu as bromélias tenha sido Margareth Mee, artista plástica inglesa que viveu 35 anos no Brasil e dedicou sua vida à reprodução da flor em aquarela. ‘‘As bromélias atraem quem admira o belo’’, disse. Além de pintar, Margareth ajudou a catalogar bromélias de Mata Atlântica e da Floresta Amazônica. Em 1992, o Instituto de Botânica de São Paulo reuniu 56 de suas pinturas e as reproduziu no livro ‘‘Bromélias Brasileiras – Aquarelas de Margareth Mee’’, em homenagem à mulher que se tornou conhecida como a ‘‘Dama das Bromélias’’.
Atualmente existem no Brasil cerca de 45 gêneros e, aproximadamente, 2.700 espécies de bromélias catalogadas. De todos os países da América do Sul, o Brasil é o mais rico em variedade da espécie. ‘‘As regiões brasileiras onde se encontra mais a planta são Amazônia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e os estados do Nordeste’’, informa Ricardo Armando.
Agradecimentos: Mercado das Flores, Floricultura Paraíso e Torre Phorte Gardens

mockup