O culto ao corpo ganha terreno cada vez mais privilegiado nas mais diversas culturas. Tanto que o Brasil está entre as melhores posições no ranking de cirurgias plásticas e lipoaspirações. Os seios - um dos principais símbolos da sexualidade feminina e também da maternidade - estão no foco da batalha por um físico impecável. As próteses de mamas, ainda cercadas de alguma polêmica, estão cada vez mais sofisticadas. O grande problema é que nesse processo contínuo e crescente pela busca do belo, muitas mulheres esquecem de priorizar cuidados básicos e essenciais à saúde. De acordo com números estimados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 48,9 mil novos casos de câncer de mama serão registrados este ano no País.
O número pode mesmo assustar, mas a boa notícia é que a tecnologia médica nessa área tem alcançado significativos avanços. ''A incidência do câncer de mama tem aumentado sistematicamente nos países industrializados. A evolução de todas as formas de tratamento desse tipo de câncer é um dos progressos mais notáveis da medicina'', diz o médico Hélio Amâncio de Camargo Júnior, especialista em radiologia mamária. Autor de ''Pequeno Manual de Saúde das Mamas'' (editora United Press Saúde, 184 páginas), Camargo Júnior destaca no guia que a maior parte dos nódulos palpáveis não significa incidência de câncer. ''Felizmente, nos casos em que o nódulo vem a se mostrar maligno, os excelentes recursos médicos hoje disponíveis possibilitam grande chance de cura.''
Entre as novidades destacadas no 42º Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, realizado em Atlanta, nos Estados Unidos, está um coquetel de medicamentos para o controle do câncer de mama. Segundo explicou o médico espanhol José Baselga, da Universidade de Vall d'Hebron, em Barcelona, ''o objetivo é combater a doença da mesma forma que se combate o HIV (vírus transmissor da aids)''. Isso significa utilizar conjuntamente as mais modernas drogas e os medicamentos já ministrados. Outra possibilidade é ministrar estas substâncias de última geração de forma sequencial. É que elas demonstraram eficácia no bloqueio da proliferação de células malignas. E com a vantagem de não comprometer células sadias. São as chamadas ''target therapies'', ou seja, o remédio segue como um míssil para seu destino, e o atinge com precisão cirúrgica.
De acordo com o mastologista londrinense Walter Jorge Sobrinho, esse tipo de terapia já existe para outros tipos de câncer. ''A vantagem é que ela ataca só as células afetadas pela doença. Mas a terapia ainda não está disponível. Acredito que seja algo para o futuro'', afirma.
O problema, por enquanto, é que alguns destes novos medicamentos causam sérios efeitos colaterais, como riscos cardíacos. Por isso, os estudos devem continuar por pelo menos mais uns dois anos. Contudo, segundo os especialistas, a terapia de combate ao câncer de mama já deu um salto considerável. A realidade atual, de acordo com dados do Inca, mostra que cerca de 10 mil brasileiras morrem em decorrência do câncer de mama a cada ano no Brasil. ''O tratamento aqui é tão bom quanto no resto do mundo. O problema é que muitas pacientes só descobrem a doença em estágio avançado, o que diminui as chances de cura'', explica Walter Sobrinho.
Segundo ele, o mais importante ainda continua sendo a prevenção, feita com auto-exame da mama, mamografias e ultrasom. ''O auto-exame é importante para a mulher conhecer seu seio, mas a visita ao médico é fundamental porque a idade de iniciar os exames depende do histórico de cada paciente'', diz.
(Colaborou Herika Fondazzi/Reportagem Local)

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