A instalação de altares para santos católicos ou divindades de outras religiões é uma tradição portuguesa incorporada aos costumes brasileiros. Para o arquiteto Álvaro Côrtes, hoje essa concepção tem um sentido mais amplo. ''Eu vejo esse espaço como um santuário ecumênico. Pode ter uma imagem central dedicada a algo em que você acredita, mas também pode ser um elemento da natureza, como um espelho d'água, um reflexo do céu, uma pedra que represente a força do pensamento, enfim, locais que remetem à meditação''.
Segundo ele, o altar propriamente dito contempla elementos mais específicos, como imagens sacras, que têm como principal objetivo o conhecimento de uma força que nos rege e até mesmo o autoconhecimento das nossas possibilidades de fé. ''Esses elementos representam as riquezas espirituais e a certeza de que uma força sobre-humana nos protegerá'', diz o arquiteto.
Envolvido com o projeto de um mosteiro budista em Pirinópolis, Álvaro Côrtes explica que a forma conceitual da obra mergulha na filosofia oriental para a localização de cada espaço do complexo. A inspiração vem de quatros palavras-chaves: espiritualidade, hereditariedade, contemplação e sofrimento, que estão na base da filosofia budista e podem ser aplicadas na elaboração de santuários domésticos.
Ao compor altares em residências, a decoradora Kátia Costa se preocupa em respeitar a filosofia das religiões e a simetria dos elementos para alcançar o equílibrio. ''As imagens, oferendas e flores devem compor uma estética harmoniosa'', observa Kátia.
Para a juíza Emília Simeão Albino Sako, quem tem um altar projetado por Katia no hall, e outros ''cantinhos'' com divindades orientais espalhados pela casa, a intenção é conviver em ambientes que transmitam paz e tranquilidade. ''Elas mantém o astral da casa elevado e eu me sinto bem'', garante ela. n

mockup