Se todas as mulheres fossem como Gisele Bündchen, todos os problemas do mundo seriam resolvidos? Nada disso. Modelos podem se questionar até mais do que as mulheres ‘‘normais’’ em relação à sua aparência. Mesmo porque elas vivem da beleza.
  Quem garante isto é o psicólogo Marco Antonio De Tommaso, especializado em auto-estima e transtornos alimentares, que atende modelos de duas grandes agências, a Elite e a L’Equipe.
  Em entrevistas com 140 modelos, o psicólogo constatou que nenhuma das meninas estava satisfeita com o próprio corpo. Tommaso conheceu uma garota de 1,80 metro e 57 quilos que queria fazer cirurgia de redução do estômago. ‘‘Essa idealização do corpo é tão utópica que virou uma doença cultural. O corpo das modelos, que é uma exceção, acabou virando a regra’’, diz Tommaso. Para o psicólogo, aquela conversa de que ‘‘ser bonita é sentir-se feliz’’ não é mentira. Ele exemplifica com a história da própria Gisele, que ele conhece desde seus primeiros passos como modelo.
  ‘‘Nos primeiros meses dela em São Paulo, a Gisele teve de ouvir que era nariguda, magrela e sardenta. Hoje, é um mito’’, diz o psicólogo. ‘‘Ela poderia ter desistido no começo, mas a questão é que ela tem autoconfiança, por isto consegue crescer na passarela.’’
  Segundo ele, existe sim, um remédio para esta doença cultural. ‘‘É necessária uma força-tarefa, que reúna a publicidade, a moda, a medicina e a mídia, e mostre que a beleza das modelos é apenas uma das formas de beleza, não a única.’’

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