Beldades complexadas. Até elas...
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2005
Lola Félix<br> Agência Estado 
Se todas as mulheres fossem como Gisele Bündchen, todos os problemas do mundo seriam resolvidos? Nada disso. Modelos podem se questionar até mais do que as mulheres normais em relação à sua aparência. Mesmo porque elas vivem da beleza.
Quem garante isto é o psicólogo Marco Antonio De Tommaso, especializado em auto-estima e transtornos alimentares, que atende modelos de duas grandes agências, a Elite e a LEquipe.
Em entrevistas com 140 modelos, o psicólogo constatou que nenhuma das meninas estava satisfeita com o próprio corpo. Tommaso conheceu uma garota de 1,80 metro e 57 quilos que queria fazer cirurgia de redução do estômago. Essa idealização do corpo é tão utópica que virou uma doença cultural. O corpo das modelos, que é uma exceção, acabou virando a regra, diz Tommaso. Para o psicólogo, aquela conversa de que ser bonita é sentir-se feliz não é mentira. Ele exemplifica com a história da própria Gisele, que ele conhece desde seus primeiros passos como modelo.
Nos primeiros meses dela em São Paulo, a Gisele teve de ouvir que era nariguda, magrela e sardenta. Hoje, é um mito, diz o psicólogo. Ela poderia ter desistido no começo, mas a questão é que ela tem autoconfiança, por isto consegue crescer na passarela.
Segundo ele, existe sim, um remédio para esta doença cultural. É necessária uma força-tarefa, que reúna a publicidade, a moda, a medicina e a mídia, e mostre que a beleza das modelos é apenas uma das formas de beleza, não a única.


