Na sala decorada com desenhos infantis, crianças de oito meses a um ano e meio de idade sentam nos colchonetes coloridos na companhia dos pais ou babás. Em um canto, o teclado no chão, ao alcance dos pequenos, chocalhos e tambores. Apesar da pouca idade, eles estão em uma aula de música para bebês.
  Para quem é pai ou mãe, nada mais gratificante do que ver os filhos se desenvolvendo e adquirindo habilidades. O primeiro passo, a primeira palavra e tantas outras iniciativas são esperados e comemorados por toda a família. Agora é possível se surpreender com o primeiro acorde e com a facilidade e alegria dos bebês com os sons.
  De acordo com o professor de música Roney Marczak, da Escola Sol Maior, que fez mestrado em pedagogia infantil e já lecionou em diversas escolas da Europa, a musicalização é um ótimo instrumento para a evolução infantil. ‘‘Em geral, os bebês têm apenas o convívio com a mãe e o pai. Aqui, eles interagem com outras crianças da mesma idade e fazem contato através da música, uma vez que ainda não falam. Ficam mais sociáveis, mais tranqüilos. Como é preciso a companhia de um adulto, muitos pais aproveitam para usar a aula como um momento de lazer com os filhos’’, diz.
  A administradora Adriana Simon Fernandes, 31 anos, matriculou os filhos gêmeos Pedro Henrique e Valentina, de um ano e meio, quando os dois tinham um ano de idade, e garante que já ocorreram mudanças no comportamento de ambos. ‘‘O Pedro era mais tímido e retraído e hoje está bem melhor. Já a Valentina era muito agitada e agora está mais paciente, mais calma’’, afirma.
  Apesar de não terem contato direto com os instrumentos nos primeiros anos, os resultados das aulas podem ser percebidos logo cedo pelos pais. ‘‘Na primeira aula, eles não participaram de nada, ficaram só olhando. Mas quando chegamos em casa, os dois começaram a repetir tudo. Fiquei impressionada’’, lembra a mãe dos gêmeos.
  Mas não é só o lado emocional que ganha com o contato musical precoce. Incentivar os pequenos a evoluir, oferecendo estímulos variados como os sons, além de prazeroso é muito importante para o futuro deles. É nessa fase que se constróem as ligações cerebrais, aumentadas ainda mais com a chegada de novas informações. Comprovado por inúmeras pesquisas feitas na Europa e nos Estados Unidos, o aprendizado da música acelera a capacidade do cérebro de absorver conhecimento.
  ‘‘Meus dois filhos fazem aula desde muito pequenos, começaram com menos de um ano de idade. O mais velho, que tem hoje quatro anos, possui um raciocínio rápido e lógico, incomum para a idade. Ele se expressa bem e consegue interagir com crianças de nove anos. São crianças mais participativas e atentas ao que acontece ao seu redor’’, garante Roney.
  O desenvolvimento intelectual, segundo Roney, também é resultado da maneira como a música é passada para os bebês e crianças pequenas. Durante as aulas, os alunos associam os sons com cores e palavras, criando uma rede de informações lógicas. ‘‘Fazemos associações com as notas. Por exemplo, o mi parece com milho, que é amarelo. Também é possível usar sons com animais’’, diz o professor.
  ‘‘Para os meninos isso é algo muito natural. Costumo dizer que eles não aprendem música, apenas despertam a música que já estava neles. O Luigi está com quatro anos e meio e já consegue identificar os instrumentos. O Luan tem menos de um ano e já aponta para o rádio de casa, pedindo para ligar o aparelho. Eles adoram as aulas’’, comenta Larissa Rocha Loures Marczak, 34 anos, mãe de Luigi, 4,5 anos, e Luan, 11 meses.


O professor de música Roney Marczak: ‘‘Como os bebês precisam da companhia de um adulto, muitos pais aproveitam a aula como um momento de lazer com os filhos’’

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