Artigos, substantivos, adjetivos, pronomes, tempos verbais, gerúndio e pontuação. Toda a riqueza da língua portuguesa encanta não apenas aos brasileiros, mas a muitos estrangeiros também, que fixando residência no Brasil, procuram cada vez mais as escolas de idiomas para dominar a nossa língua de forma fluente, fugindo da colocação errada, principalmente dos tempos verbais.
  Boa parte dos alunos são empresários, transferidos para o Brasil com a função de gerenciar empresas e, por isso, precisam dominar completamente nossa língua. Muitos já chegam arranhando o português ou com o espanhol afiado, o que segundo a direção das escolas, apesar da semelhança da língua, acaba sendo um fator complicador, quando surgem as palavras com significados diferentes.
  Mas alguns chegam ao País sem noção nenhuma da língua e aí, ensinar o idioma torna-se uma tarefa mais complexa, que requer cuidados e aulas sempre dinâmicas. As escolas buscam, principalmente, saber o objetivo do aluno, baseando-se na área de atuação de cada um. ‘‘Temos de saber que tipo de português o aluno deseja aprender para direcionar as aulas, que podem ser dadas em sala ou mesmo de forma prática, freqüentando locais públicos para que o aluno vivencie as situações’’, afirma uma das cinco sócias da College, Maria Regina Pereira Filgueiras.
  No College, as aulas são oferecidas na forma de um pacote, de acordo com a necessidade de cada aluno. Assim, o próprio aluno define o dia e o horário das aulas, que geralmente são variados, até mesmo pelo tipo de atividade profissional que os alunos desempenham. ‘‘São pessoas com muitos compromissos e que precisam ter flexibilidade nos horários’’, afirma a Maria Regina. Em alguns casos, as aulas são ministradas na própria empresa onde o aluno trabalha.
  No caso da química Elsa Mendioroz, de origem espanhola, que trabalha no setor de desenvolvimento industrial farmacêutico de uma multinacional em Cambé, as aulas acontecem duas vezes por semana na própria escola. Quando há necessidade, ela e a professora saem às ruas, para fazer a parte prática, visitando supermercados, feiras-livres ou outros ambientes que fazem parte do dia-a-dia de Elza. ‘‘Isso me acrescenta na parte cultural e me permite conhecer os costumes do povo daqui’’.
  Com noção de francês e falando o inglês, Elsa, que está há cinco meses e meio no Brasil, agora precisa dominar o português. ‘‘Trabalho com várias pessoas que só falam o português. Se vou à rua, preciso falar com as pessoas’’. Ela considera a língua ‘‘superdifícil’’. Conjugação de verbos, pronúncia e ortografia são as maiores dificuldades.
  A professora de Elsa, a chilena Perla Rodrigues, acredita que num prazo de dois a três anos, a espanhola estará entendendo e falando bem o português, inclusive com pouco sotaque, um dos objetivos da escola.
  Já na escola First, que também oferece aulas de português para estrangeiros, a procura maior é por estudantes ou pessoas que estão em viagem, passando um período mais curto no Brasil. ‘‘São alunos esporádicos, que estão viajando e precisam de aprender um pouco para se comunicar, como pegar um ônibus, ir a um restaurante, pedir uma informação’’, explica a proprietária da escola, Michele Andres de Castro.
  Nessa escola, os professorres já atenderam finlandeses, americanos e alemães que vêm temporariamente para o Brasil e se interessam pela língua e pela cultura do País. ‘‘Normalmente são pessoas curiosas e estudantes. No caso de empresários que vêm trabalhar na cidade, alguns já chegam dominando o português, por isso, nossa procura é pequena’’, afirma Michele.
  Os cursos oferecidos pela First duram, em média, de três a seis meses. Os professores simulam situações do dia-a-dia com os alunos dentro da própria sala de aula, utilizando livros e CDs que complementam as aulas. ‘‘O aprendizado é rápido, porque muitas vezes, essas pessoas já chegam com uma pequena noção do português’’, afirma Michele.

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