Batendo o pé
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Desde que surgiu na televisão em forma de competição entre famosos, a dança tem despertado nas pessoas comuns o desejo de se aventurar pelo mundo dos rodopios, rebolados e do dois pra lá, dois pra cá. Agora, é a vez do sapateado ocupar as telinhas e chamar a atenção do público.
Pouco conhecida em terras brasileiras, a dança surgiu na Irlanda, ficou famosa nos estúdios de Hollywood (veja box) e agora surge todos os dias na abertura de ''Eterna Magia'', da Rede Globo. ''Desde que a novela começou, a procura por aulas de sapateado aumentou. Mas as pessoas ainda têm medo de começar'', afirma o proprietário da escola de dança SR, Rodrigo Rocha.
De acordo com a professora de dança de salão e sapateado Bruna Vitorino Dias, esse ritmo, que teve seu auge em filmes da primeira metade do século 20, é pouco conhecido pelas novas gerações. ''O sapateado não é popular no Brasil e as pessoas nem sabem que existem escolas que ensinam esse ritmo. Pensam que só há cursos para crianças e nem imaginan que existem aulas para adultos'', diz.
Bruna afirma que os que procuram o curso são pessoas que já fizeram aula quando crianças ou que sempre tiveram curiosidade pela dança. Um desses casos é o microempresário Rafael Guimarães Lima, 32 anos, que faz aulas de sapateado há cerca de nove meses. ''Lembro que assisti ao filme ''Cantando na Chuva'' (1952) e achei muito bonito. Mas nunca soube de turmas de adultos aqui em Londrina. Um dia conheci a Bruna e ela me contou que dava aulas. Comecei em seguida'', conta.
Mas nem tudo foi fácil para o rapaz acostumado a ter no futebol a única fonte de esporte. ''Eu era muito durão, não conseguia mexer o quadril. Ainda acho que não tenho flexibilidade para a dança, mas a Bruna disse que melhorei muito. No começo é muito difícil. O movimento com os pés, que precisa ser controlado, é complicado de pegar. Mas aconselho as pessoas a tentarem porque vale a pena, é muito bom'', diz.
Para a professora, a necessidade primordial para o sapateado é a coordenação motora. ''E isso a pessoa só adquire com tempo de treino. Um aluno médio demora cerca de seis meses para conseguir fazer um som legal com os sapatos. Mas, depois disso, a aula é muito prazerosa. Ensino o sapateado americano, que é mais solto do que o irlandês, e trabalho várias músicas, como jazz, blues, rock, samba. O sapateado se encaixa bem com vários estilos e depois que o aluno pega o jeito consegue acompanhar qualquer música'', comenta.
Além do prazer de dançar, ela afirma que o corpo também tem benefícios com o sapateado. ''Essa dança melhora a postura, enrijece o abdômen e trabalha bastante coxas, panturrilhas e bumbum'', garante Bruna, alertando para o risco de problemas nos joelhos. ''É preciso passar por uma avaliação médica porque os joelhos são bem exigidos. O aluno pula o tempo todo para bater o sapato no solo e fazer o som'', explica.
A agente de viagens Daniela Garcia Januzzi, 40 anos, garante que vale a pena superar as dificuldades iniciais do sapateado para colher os frutos no futuro. ''Eu sempre pratiquei esportes, mas com o sapateado percebo que as pernas e o bumbum estão mais legais, além da resistência física, que melhora muito. Sem contar que para mim a dança é uma terapia. Eu me divirto, converso, me desligo do estresse do dia-a-dia'', afirma.


