Banho de beleza
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Rosângela Vale 
Nos supermercados e nas farmácias, as prateleiras estão cheias. São centenas de marcas, com as mais variadas formulações e finalidades, fatores que nem sempre são levados em consideração na hora de escolher o sabonete de cada dia. O cheiro mais agradável e o preço mais convidativo acabam sendo decisivos, o que pode acarretar uma série de complicações para a pele.
''O uso de sabonete inadequado, em pele seca, pode torná-la mais sensível e vulnerável a irritações e infecções. Já na pele oleosa, pode favorecer o aparecimento de cravos e espinhas'', alerta a médica dermatologista Vera Cristina Schnitzler, que ao orientar os pacientes na escolha do sabonete leva em consideração, sobretudo, a região facial, cujas características definem o tipo de pele: oleosa, mista ou seca. Essa definição, entretanto, só vem na fase adulta.
''O que dá oleosidade à pele é a glândula sebácea, mais desenvolvida no rosto e na região central do peito e das costas. Essa glândula sofre influência hormonal, por isso, na criança, ela praticamente não funciona e, nos adolescentes, é bastante estimulada, podendo levar ao fechamento dos poros e ao aparecimento da acne. Só na fase adulta, quando o funcionamento da glândula já estiver normalizado, é possível caracterizar o tipo de pele'', esclarece a dermatologista.
Segundo ela, peles secas e oleosas precisam de maiores cuidados com o sabonete. As versões em gel, geralmente, são mais indicadas para quem tem pele oleosa. ''Normalmente, recomenda-se usá-lo até três vezes ao dia para combater a oleosidade'', diz. Mas, cuidado com os exageros. ''Se for usado mais vezes, o sabonete pode tirar a proteção natural da pele. E para se defender, o organismo acaba produzindo mais oleosidade e piorando a situação'', avisa Vera. Se a pele for excessivamente oleosa a ponto de ter cravos e espinhas, ela recomenda sabonetes com grânulos na formulação, que funcionam como esfoliantes.
Para as peles excessivamente secas, muitas vezes a indicação é evitar sabonete. Junto com a sujeira, ele leva embora também a secreção natural da pele. O resultado é um ressecamento ainda maior. ''Geralmente, nesses casos, oriento o uso do sabonete apenas uma vez ao dia. E se for tomar mais de um banho por dia, passar sabonete apenas nas regiões de maior transpiração'', ensina Vera. Outra alternativa é optar pelas versões com hidratante, que deixam um filme de proteção na pele.
A dermatologista lembra ainda que a indicação de sabonetes varia de acordo com o tipo de tratamento dermatológico. ''Há pessoas que, com o uso de filtro solar, tendem a ficar com a pele oleosa. Outras, com ácidos, ficam com a pele ressecada'', informa. Segundo ela, a pele pode ainda ficar momentaneamente oleosa durante a menstruação ou em situações de stress. ''Nesses casos, precisamos compensar as mudanças com sabonetes adequados'', explica.


