Ela é a segunda mãe, coordena o serviço da casa, sabe onde foi parar aquela calça que sumiu do armário, leva seus filhos para os passeios que você acha um horror (mas que as crianças adoram). Santa paciência. Ela troca a fralda cantando, enquanto o bebê grita; disfarça quando leva uma mordida inocente do mais velho e ainda tem um colo para consolar a dona da casa.
Remanescente de um tempo que em a babá-eletrônica ainda não ficava ligada na sala, e que os patrões não precisavam filmar sua conduta em segredo, a babá de verdade ainda aparece em algumas famílias. Muitas delas deixaram de ser a empregada que cuida do bebê e passaram a ser mais um membro da família.
Uma dessas superbabás é Jurema Vieira dos Santos, 49 anos, que há mais de 40 mora na casa de ‘‘sua família’’ no Paraná. Quando perdeu o padrasto, aos 9 anos, Jurema deixou Santa Catarina e passou a morar na casa dessa família, ajudando apenas a tirar a mesa, enxugar as louças e outros afazeres próprios da idade. Com o tempo foi aprendendo os serviços domésticos, passou a cozinheira, depois a governanta e a babá do menino mais novo, que é excepcional. ‘‘Eu sempre me esforcei em tudo. Limpava bem, passava a roupa e cozinhava com amor. Minha patroa me ensinou tudo com carinho e o que sei hoje devo a ela’’, conta Jurema.
Ana Rita e Eva: convivência de amor e bom humor‘‘Ela foi sempre muito amorosa com meus filhos, e muito dedicada ao mais novo’’, conta Josefina, a patroa e amiga. A babá virou uma espécie de enfermeira do rapaz, que hoje tem 43 anos. ‘‘Passamos o dia todo juntos, ele é muito agarrado comigo. As pessoas ficam admiradas em ver como nos damos bem’’. Quando Jurema precisa se afastar um pouco, ele fica inquieto e chama por ela o tempo todo. Longe de ter ciúmes, Dona Josefina valoriza muito a dedicação de Jurema ao filho. ‘‘No Dia das Mães, eles me fizeram uma surpresa. Deram a chave de um carro para ele me entregar como presente’’.
Jurema acha que o segredo de ficar num emprego há tantos anos se deve ao amor pelo que se faz, e a ‘‘reconhecer tudo o que a família’’ fez por ela. ‘‘Não há dinheiro que pague’’. Jurema diz que é tão feliz nessa família-emprego que nem pensa em se casar. ‘‘Já pensei em ser religiosa, mas as irmãs disseram que a minha missão é mais linda do que a de muitas delas, que Deus deve estar me dando um crédito lá no céu. Hoje nem penso em sair desta família. Acho que morreríamos de saudade’’.Fotos: Marcos NegriniA babá Jurema e o carro que ganhou no Dia das MãesCelina Alonso Az

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