Viajar para o exterior faz parte dos planos de muitos estudantes brasileiros. Mas, com o dólar lá nas alturas, são poucos os que conseguem, hoje, realizar o sonho de conhecer outros países e incrementar o idioma. Uma boa alternativa para custear as despesas da viagem são os programas de trabalho nos Estados Unidos. As funções, na maioria dos casos, nada têm a ver com a área de estudo e exigem flexibilidade dos jovens, que irão atuar como garçons, babás, camareiras e recepcionistas. O salário e a oportunidade de crescimento pessoal, entretanto, podem acabar compensando. E, se os gastos não forem excessivos, é até possível trazer algum dinheiro para casa.
Não foi o caso da estudante de Letras da UEL, Ticianne Christofolli, 25 anos, que ficou durante um ano trabalhando como babá, primeiro em New Hampshire, depois em Michigan. ''Não fui com o objetivo de economizar. Gastei tudo em viagens, mas muitas meninas que participam do programa juntam dinheiro para pagar a faculdade ou para ajudar os pais'', conta ela, explicando que os gastos são mínimos, uma vez que as refeições são oferecidas pela família hospedeira.
Ticianne participou do programa ''Au Pair in America''(cujo salário base é de US$ 149,00 por semana) e aprovou a experiência, mesmo tendo que trocar de família por incompatibilidade com a mãe de uma das crianças que cuidou. ''Não deu certo porque ela não trabalhava e implicava com tudo. Na verdade, a família era extremamente rica e não precisava de babá'', justifica. Na hora de mudar de casa, tudo foi providenciado rapidamente. Em dois dias, já estava em Detroit, onde ficou oito meses. ''Lá, ela cuidava de um menino de 3 anos, com quem passava o dia todo. Trocava fraldas, dava café da manhã e passeava pelos parques. Para fazer tudo isso e estudar à noite ela fez cursos de inglês e literatura, pois o programa exige 500 horas de estudo Ticianne tinha um carro só para ela.
O inglês não foi problema, pois ela já havia estudado fora do Brasil e dominava a língua. Nem todas as garotas, entretanto, se dão bem nesse quesito. ''O idioma é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas meninas do mundo inteiro que participam do programa. O teste exigido é escrito e não oral. Portanto, não avalia a fluência da pessoa. Muitas não se adaptam e desistem por não conseguirem se comunicar com a criança'', avisa.
Para Ticianne, o mais complicado foi não poder influir na educação do pimpolho. ''A criança americana manda na vida dela, escolhe onde e o que vai comer. E a gente tem que fazer todas as vontades dela'', diz. O apego gerado pelo intenso convívio é um ponto positivo no dia-a-dia, mas causa aquele nó na garganta na hora de ir embora. ''A gente se sente parte da família. A partida foi sofrida, tanto para mim como para a criança'' , relata ela, que ano passado foi passar o Natal com a família americana.
Como os americanos Aprender a cuidar de si e das próprias coisas ''não há ninguém para fazer por você'' é uma das vantagens apontadas pela estudante de Turismo Mariana Abi-Saab Tavares Lima, 19 anos, que passou uma temporada de quatro meses na estação de esqui de Bretton Wook, em New Hampshire, trabalhando como garçonete, dentro do programa de Trabalho de Férias nos EUA. ''A gente vive como os americanos. Ganha e gasta como eles'', diz.
Mariana viajou motivada a aperfeiçoar o inglês e a ter uma experiência profissional em um hotel. O seu desempenho não poderia ter sido melhor. Além de trabalhar no restaurante de quatro a 18 horas por dia (dependendo do movimento), ela também fazia hora extra no bar durante os finais de semana. As folgas eram semanais e o salário, calculado por hora. ''Eu recebia US$ 2,45 mais gorgetas'', relata ela, que dividiu o dormitório com outra brasileira. Na época em que Mariana esteve lá, aliás, os brasileiros eram maioria entre os funcionários da estação.
Apesar do trabalho puxado, as viagens com os amigos eram frequentes. ''Às vezes, a gente ficava sem folgar por três semanas e depois aproveitava para viajar. Fui para Boston, Nova York e Montreal, no Canadá, que ficava somente a três horas da estação'', relata. Os gastos, portanto, não foram poucos. ''Consegui devolver o que meu pai investiu, mas é possível trazer dinheiro para casa'', garante. O clima foi, para Mariana, a maior dificuldade que enfrentou. ''Fazia muito frio e eu saí daqui com muito calor. Demorei um pouco para me adaptar'', lembra ela, que pensa em repetir a experiência, agora em temperaturas mais amenas. ''Dessa vez quero ir para um parque temático na Califórnia'', revela. n

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