Auto-estima com limites
Segundo a terapeuta Debora Gil, a brincadeira faz parte do desenvolvimento das crianças. E um pouco de vaidade é fundamental: A vaidade é extremamente positiva na medida em que representa cuidado e carinho por si mesmo. Querer se enfeitar e se embelezar é indicativo de uma auto-estima elevada, quando procuramos através dela realçar o que temos de mais característico em nós mesmos. Uma menina que gosta de pintar suas unhas, principalmente com motivos desenhados, quer mostrar sua individualidade, assim como pode demonstrar preferência por roupas de uma determinada cor. Mas tudo de uma forma lúdica.
Para que a brincadeira não passe dos limites, a relação com os pais é decisiva. A terapeuta explica que uma menina pode usar acessórios e maquiagem da mãe para tentar imitá-la. Mais do que natural, esse comportamento é desejável porque expressa, numa brincadeira, a formação da subjetividade e a capacidade de aprendizagem do indivíduo. Além disso, é uma maneira de as crianças elaborarem sua auto-imagem. Segundo Debora, os pais precisam ficar alertas se a vaidade comprometer o convívio social.
Demandar os cosméticos para uso cotidiano e com o fim de chamar atenção, destacar-se ou se sentir mais bonita dentre as demais crianças é um efeito nefasto, pois mostra que a criança está apresentando ansiedade, conflitos e desejos próprios de uma fase posterior: a adolescência. Assim, fases e momentos importantes da infância podem ser puladas, ao mesmo tempo em que se adianta o momento em que ela irá se deparar com questões aflitivas para as quais nem está amadurecida emocionalmente. Neste aspecto, podemos dizer que há uma grande influência do chamado culto à beleza explica a especialista.
E a indústria da beleza já percebeu que as crianças estão sujeitas às influências do mercado. Não por acaso, grandes marcas de cosméticos já têm seu nicho infantil. (T.C./O Globo)





