Carlos Augusto
confessa que gosta
de testar os
limites dos pais
Punição pode muito bem ser confundida com castigo corporal. São dois procedimentos distintos, mas na prática não se sabe quando começa um e termina o outro. Em determinadas situações, além do castigo físico em excesso, há também algum tipo de punição. O estudante Walter (nome fictício), 16 anos, conhece os dois lados.
Desde criança ele conheceu de perto o ‘‘psicotapa’’, um certo tipo de psicologia educacional que se vale da força física. ‘‘Meu pai sempre foi muito violento e quando eu era moleque apanhava muito. Até uns 14 anos, eu me lembro de ele ter me batido; depois disso, ele arranjou outras formas de impor seu ponto de vista’’, confessa Walter.
Hoje, a ‘‘pegação’’ no pé é por causa das notas do boletim. Final de ano letivo, as notas não estão lá essas coisas. ‘‘Nem sei o que vai acontecer se eu levar bomba novamente. Acho que não vou para a praia, no mínimo. E grana também; ele vai querer zerar minha mesada’’, afirma. Segundo Walter, seu pai faz sermão além da conta e somente o ponto de vista dele pode ser levado em consideração. ‘‘Eu acho que se ele falasse menos, as coisas seriam mais tranquilas. O ruim é que ele perde o controle por qualquer coisa’’, analisa.
Quem perde o controle com alguma facilidade, é a mãe do estudante de 2º grau Carlos Augusto (nome fictício), 15 anos. O garoto conta que a marcação em cima dele é grande. ‘‘Eu trabalho na loja da família, depois da aula vou para lá. Minha mãe fica a tarde inteira comigo. Fala na minha cabeça um montão. Além de estudar, trabalhar e ganhar mal, tenho que ouvir besteiras o dia todo’’, diz revoltado.
De acordo com Augusto, os pais acham que podem controlar tudo. ‘‘Mas não podem’’, afirma. Ele confessa que nos finais de semana, quando sai com os amigos, abusa da bebida. Questionado sobre o assunto, Carlos Augusto confessa que gosta também de testar os limites dos pais. Nesse jogo de poder, cada um fala um idioma e ninguém se entende. ‘‘Acho que eu sou boca dura e pago um preço alto. Quando menos espero, eles me proíbem de sair no fim de semana. Aí é o bicho ficar em casa’’, reconhece o estudante.

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