Trinta e oito desfiles depois, o balanço da São Paulo Fashion é um boa notícia para quem já se preocupava com um inverno cinzento pela frente. É que há, sim, uma luz no final do túnel e ela chega nos mais diversos tons para contrastar com o preto e o cinza, sem dúvida, as cores predominantes. Nas passarelas da SPFW, o refresco para os olhos responde pelo vermelho intenso e o branco puro. Sem falar nos xadrezes e nos metalizados.
Em uma temporada pontuada por inspirações de décadas passadas como os anos 1960 e 1980, o foco fashion vai para os volumes. Como a calça skinny (justíssima e colada ao corpo) e a legging já se incorporaram ao guarda-roupa da brasileira, o jeito é brincar com as partes de cima do modelo. Truques de modelagem dispensam as fatídicas ombreiras, mas os ombros ganham importância no visual assim como as golas. Nesse quesito, vale tanto a rigidez quanto a flexibilidade dos babados.
Três boas estréias marcaram o evento paulistano: Simone Nunes, Wilson Ranieri e Priscilla Dalrot. Veteraníssimo, Alexandre Herchcovitch deixou seu lado urbano para olhar os trabalhadores rurais. O resultado foi elogiado não só em São Paulo como na semana de moda novaiorquina, onde o estilista desfilou logo após a SPFW. As sobreposições dos bóias-frias ganharam o mundo.
Em momento profeta, o mineiro Ronaldo Fraga alerta sobre um futuro difícil com a invasão dos produtos chineses. Um problema para a indústria brasileira, que ainda tem tempo de se preparar. Com o bom humor que lhe é característico, Fraga colocou a China na sua passarela, fugindo das estampas de tigres e da gola Mao.
Menos cinza e mais negra do que a carioca, a temporada paulistana resgatou tempos eduardianos - Reinaldo Lourenço e Glória Coelho - e também brincou com expectativa em torno da exibição do filme Maria Antonieta de Sofia Coppola (o aguardado lançamento no Brasil está agendado para março). Samuel Cirnansck fez graça com vestidos de anquinhas pra lá de generosas. Já a sempre fofa Isabela Capeto não quis saber de graça e chamou apenas 60 pessoas para o desfile que aconteceu nos jardins de sua loja.
Entre tantas tendências apresentadas, a que deve durar bem mais do que uma temporada é a sustentabilidade ambiental e social. A Osklen, que já tem a sua e-brigade desde 2000, agora lançou os e-fabrics. Tecidos selecionados em todo o Brasil, como é o caso da seda orgânica produzida em Maringá. A expectativa é que outras grifes sigam o exemplo nas próximas coleções.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento

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