Aula prática
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quinta-feira, 29 de setembro de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Numa visita rápida aos bastidores do Catuaí Collection, percebe-se que o corre-corre nas trocas de roupas dos modelos tem um ingrediente diferente dos outros eventos de moda. São os alunos do curso de design de moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que trabalham como assistentes de produção. O grupo não só ajuda os modelos a se vestirem como também pode dar palpites na hora de fazer combinação das peças o que vai ou não para a passarela.
''O Marcelo (Fagundes, produtor) nos cobra atitude na hora dos últimos detalhes e ele confia na nossa opinião'', diz a aluna Jany Silva, que acabou descobrindo uma nova aptidão. Ao invés de criar coleções como estilista, ela deve seguir carreira na produção de desfiles. Para Marina Pinheiro a inspiração fashion do evento começou antes mesmo de se tornar aluna de moda. Uma das veteranas da equipe na edição que movimentou o shopping na semana passada 23 alunos marcaram presença no camarim e está no evento desde a primeira edição, quando aliás, teve início a parceria do Collection e a UEL.
E a empatia foi tão grande que logo em seguida foi criado o concurso de novos talentos, que todos os anos escolhe três alunos para abrir os desfiles. Este ano Anniele Silva participou e ficou entre as 15 finalistas. O fato de não ter sido escolhida para desfilar suas criações não a afastou do evento. Ao lado dos colegas foi para os bastidores e acabou, inusitadamente, indo parar na pasarela. Como modelo. ''É que a idéia era ter uma Missy Elliot e acabaram me chamando'', diverte-se.
Alunas do primeiro ano, Mayui Coelho e Letícia Arakaki contam que a participação no Collection ''abriu a visão da gente''. Para elas, o lado positivo docurso é ''que a UEL nos faz passar por todas as etapas'', avisam. A dupla estreante diz ter sofrido uma ''tortura'' por não poder tietar os convidados ilustres que baixaram na cidade para os desfiles. Assim como as colegas, elas não puderam tirar fotos ao lado das celebridades ou pegar autógrafos. ''Não é proibido, mas fica chato'', lembram as meninas. É claro que tudo mudaria se, por exemplo, Rodrigo Santoro estivesse nos bastidores. E são as veteranas que já se acostumaram com os famosos mesmo que escolhem o nome do ator como irrestível.
Mas nem tudo é privação. O trabalho nos bastidores entra na carga horária dos alunos, que também recebem vale-alimentação. ''E a gente ainda aproveita para fazer muitos contatos'', explicam as assistentes de produção. ''Tem muita gente que conseguiu emprego no shopping'', lembra Jany.


