Numa fase tão conturbada da vida como é a adolescência, quando se pede um help, é fundamental ter alguém que ouça o pedido de ajuda. E nos momentos em que não se encontra esse apoio em casa, fica mais difícil vislumbrar alguma saída para os conflitos. Funcionando há dois anos em Londrina, o Centro de Referência de Atendimento ao Adolescente tem o objetivo de oferecer atendimento gratuito de especialistas aos jovens da cidade. O Centro funciona com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogo, assistente social, pediatra, ginecologista e enfermeiro.
Eles dão esse suporte ao adolescente para enfrentar desde problemas corriqueiros até situações graves de relacionamento familiar e gravidez na adolescência. O jovem interessado em usufruir desse serviço pode agendar horário no posto de saúde do seu bairro, telefonar para o Centro de Referência ou ir diretamente ao local e marcar uma consulta.
Segundo o ginecologista integrante da equipe do Centro de Referência Cesar Kohatsu, cerca de 200 adolescentes passam pelo programa mensalmente, apesar de a estrutura do serviço ainda ser pequena. ‘‘Os problemas mais comuns são gravidez na adolescência e dúvidas relacionadas ao desenvolvimento físico. Muitas meninas, na faixa etária dos 14, 15 anos, se queixam também de problemas de irregularidade menstrual e corrimento’’, revela Cesar Kohatsu.
Arquivo Folha‘‘Muitas meninas acreditam que transando uma vez, sem camisinha, não vai acontecer a gravidez’’, afirma o ginecologista Cesar KohatsuEm relação à sexualidade há uma visão mágica rondando a imaginação das meninas. Muitas acreditam que fazendo sexo uma vez, sem camisinha, não vão ficar grávidas. Ainda de acordo com o especialista, as meninas grávidas não sabem se manifestar sobre o que desejam para o futuro. ‘‘Como assumir a criança perante a família e o namorado é sua maior preocupação. Elas apresentam também muita insegurança no relacionamento familiar. Num primeiro momento, elas querem resolver o problema mais íntimo, o da aceitação’’, complementa.
‘‘Ser mães e donas de casa são os únicos caminhos existentes para essas adolescentes’’ afirma Kohatsu, acrescentando ainda que a falta de perspectiva em relação ao trabalho é outro drama enfrentado por essas jovens. (F.F.)
Serviço:

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