Embora com todo o cuidado dos pais e professores, algumas vezes a criança não consegue aprender como seria o esperado. Nestes casos, é importante a consulta com profissionais especializados que irão verificar se o aluno tem alguma dificuldade ou transtorno de aprendizagem.

Dislexia, Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Desordem do Processamento Auditivo Central (DPAC) são alguns dos problemas mais comuns, ou pelo menos, mais diagnosticados ultimamente, segundo os profissionais ouvidos pela FOLHA.

"Quando a criança é mais agitada os pais já levam para o neurologista. Mas se esquecem que hoje os filhos não têm tanta oportunidade de brincar, de subir em árvore, brincar de amarelinha. Eles têm energia acumulada e se não têm oportunidade de extravasar ficam agitados e são diagnosticados com TDAH. Por isso é importante fazer primeiro uma avaliação psicopedagógica e depois com o neurologista, este é um diagnóstico complexo", contextualiza a psicopedagoga Geocélia Alves Ribeiro.

Ela conta que enquanto na dislexia o aluno tem a imagem de preguiçoso ou desinteressado, no TDAH ele pode ser mais agitado ou desligado. Nem toda criança que tem o deficit de atenção tem também hiperatividade e vice-versa.

A criança disléxica, segundo a psicopedagoga, tem dificuldade de leitura e escrita, troca letras e palavras. "'Paciência' pode se tornar 'ciência'. A criança fala certo, mas escreve errado. Esse transtorno é orgânico, a pessoa nasce com ele e não há cura. O que fazemos é traçar estratégias para que o indivíduo aprenda. E cada criança precisa de estratégias diferentes", explica Geocélia.

Já no DPAC a criança ouve perfeitamente, mas não processa as informações. "Você pede para a criança pegar algo, ela vai e volta sem nada e justifica dizendo que não entendeu o que era para pegar", explica Andréa Batista, fonoaudióloga especialista em fonoaudiologia educacional.

Dificuldades na ortografia e leitura, na alfabetização e na produção de determinados sons da fala, além de deficit da morfologia e gramática são algumas das características do aluno com DPAC, segundo Andréa. O fonoaudiólogo é o profissional responsável pelo diagnóstico, através de testes, e também fará o tratamento.

Fatores emocionais
Porém, nem sempre o mau rendimento escolar é causado por transtornos ou dificuldades de aprendizagem. Geocélia explica que fatores emocionais também podem desestabilizar a criança. "Pode ser algo momentâneo e um psicólogo poderá ajudar."

Segundo a psicopedagoga, os pais que acompanham atentamente seus filhos percebem com mais facilidade as dificuldades e mudanças de atitude da criança. "O aluno pode ficar irritado na hora de fazer a tarefa. Ele não quer mostrar para o outro o que não é capaz de fazer. Também pode inventar motivos para não ir para a escola, como uma briga com um com amigo ou o professor", explica.

Já a escola precisa estar atenta às dificuldades dos alunos, chamar os pais e sugerir encaminhamento para um profissional. "Depois do diagnóstico, deve fazer uma adequação para o aluno, por exemplo, dando o texto digitado, porque ele não iria conseguir copiar, ou colocar para fazer prova em sala separada ou com auxílio de um professor. Assim o aluno poderá frequentar as aulas normalmente", destaca Geocélia.

Imagem ilustrativa da imagem Atenção especial à aprendizagem
| Foto: Foto: Anderson Coelho
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