Atenção com a mochila
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Entre as preocupações que os pais têm com os filhos em idade escolar, uma que merece atenção especial e que interfere diretamente na saúde das crianças e adolescentes é o peso da mochila. Apesar dos constantes alertas dos especialistas, é bastante comum encontrar estudantes queixando-se de dores musculares e até desenvolvendo problemas na coluna. E nunca é demais alertar que muitos desses transtornos podem ser evitados por meio de cuidados básicos.
''A mochila muito pesada leva a criança ou o adolescente a fazer mais esforço do que pode suportar. Isso acarreta postura incorreta e desvios posturais, como a escoliose e a hipercifose'', afirma Carolina Monte Constantino, fisioterapeuta especialista em ortopedia e traumatologia, RPG e pilates.
Segundo ela, o peso das mochilas não deve ultrapassar 10% do peso do estudante. Uma criança de 40 quilos, por exemplo, deve carregar uma mochila de no máximo quatro quilos. ''O certo é pesar a mochila em uma balança para que o peso fique correto e não sobrecarregue o aluno'', orienta a fisioterapeuta.
Um projeto de lei (PL) em trâmite na Assembleia Legislativa do Paraná determina que alunos de até dez anos não podem levar mais do que 5% do próprio peso na mochila. O limite sobe para 10% para quem tem mais idade. No âmbito federal, tramita no Senado um PL que estabelece que as mochilas não podem ter mais do que 15% do peso corporal. ''Tomara que esses projetos saiam do papel, para que as crianças e adolescentes não sofram mais as consequências do peso excessivo'', diz Carolina.
Para minimizar o problema, na visão dela, as escolas deveriam disponibilizar armários para evitar que os alunos carreguem mochilas pesadas. Além disso, os professores devem exigir que os alunos só levem o material do dia e os pais precisam estar atentos e controlar o que os filhos carregam.
A fisioterapeuta orienta evitar o uso de mochilas com muitos bolsos, pois as crianças e adolescentes vão querer levar mais coisas. Além da preocupação com o peso ideal, de acordo com ela, as bolsas devem ser carregadas de forma correta. ''A mochila nunca deve ser carregada de um lado só. É preciso colocar uma alça em cada ombro'', destaca, acrescentando que as alças devem ter o mesmo comprimento e precisam ser reguladas de forma que a base da mochila fique na linha da cintura.
É necessário dar preferência para alças largas e acolchoadas porque distribuem o peso numa área maior dos ombros. As mochilas de rodinhas podem ser uma alternativa para minimizar os efeitos do peso da mochila comum, defende Carolina. ''Neste caso, o peso é puxado e não carregado'', observa.
Ela ressalta que as mochilas não são as vilãs da coluna, mas sim o modo como são carregadas e o peso que armazenam.
Carolina afirma que é comum o atendimento fisioterápico de crianças e adolescentes em idade escolar para alívio de dores, alongamentos e fortalecimento muscular. ''Os tratamentos indicados são a reeducação postural, pilates e exercícios de consciência corporal'', explica.
Dores e desvios na coluna
O ortopedista Rodrigo Serikawa de Medeiros aponta que um grande problema causado pelo peso excessivo da mochila é a lombalgia, quadro doloroso na região das costas. Apesar de ser mais comum entre os adultos, ele afirma que os casos em crianças e adolescentes normalmente são causados pela mochila. ''As bolsas estão cada vez mais pesadas, pois as escolas exigem muitos materiais'', constata o médico.
Além das dores, carregar muito peso também acarreta desvios na coluna, como escoliose, hiperlordose e hipercifose (corcunda). Como forma de prevenção, o ortopedista indica a prática constante de atividade física. ''É primordial para desenvolver melhor a musculatura'', defende.
Ele destaca, porém, que os pais não podem deixar de corrigir a postura dos filhos, bem como controlar o peso da mochila e a forma de carregá-la. ''Nos primeiros sinais de dor, deve-se procurar o médico. Em alguns casos, é necessário o uso de medicamentos e relaxante muscular para aliviar a dor. ''Também encaminhamos para a fisioterapia especializada'', cita.
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