Celso Mattos
Diz a lenda que há 5 mil anos, um soldado chinês foi ferido no tornozelo durante uma guerra contra os mongóis. O agressor não o matou, mas fez algo bem mais importante: realizou a primeira aplicação de acupuntura. Ele acertou o ponto anestésico e curou uma enxaqueca que atormentava o adversário. É assim que os chineses narram o surgimento da acupuntura. Apesar de sua existência milenar, só em 1995 essa técnica foi reconhecida como especialidade médica pela Conselho Federal de Medicina. Mesmo sem entender seu funcionamento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a terapia aos países-membros.
Durante todos esses anos, a acupuntura vem sendo usada no tratamento de dores e patologias. Mas foi trabalhando com a medicina tradicional chinesa e com a acupuntura da Escola Francesa que o médico clínico geral Alcino do Prado Vieira, acupunturista há 16 anos, percebeu que a associação das duas técnicas podia obter bons resultados no tratamento de vícios como alcoolismo e tabagismo. Segundo o médico, a técnica consiste na aplicação de pontos de acupuntura e pontos cirúrgicos na região auricular (orelha).
‘‘Inicialmente, o paciente passa por um exame clínico e outro de pulsologia chinesa. Já o exame Vegatest, que pesquisa a existência de metais tóxicos como cádmio, chumbo e mercúrio no organismo, é opcional’’, explica. Alcino do Prado Vieira garante que 65% das pessoas que se submeteram à técnica pararam de fumar ou beber. ‘‘E cerca de 90% diminuíram a quantidade de bebidas ingeridas e cigarros fumados já no primeiro tratamento’’. Ele esclarece que as sessões de acupuntura aumentam a produção de endorfinas – substâncias analségicas e calmantes – no organismo, proporcionando ao indivíduo uma sensação de bem-estar, diminuindo a compulsão para álcool e cigarro.
‘‘Ao mesmo tempo, essa técnica nos permite equilibrar energeticamente o paciente, melhorando as funções fisiológicas dos órgãos e vísceras’’, acrescenta. Além dos pontos realizados na orelha, o acupunturista coloca microagulhas auriculares semipermanentes, que são retiradas após três dias. Ele garante que o procedimento é praticamente indolor. ‘‘A aplicação da técnica não dispensa o uso de medicamentos homeopáticos, fitoterápicos e reposição de vitaminas e sais minerais perdidos pelos organismo devido às toxicomanias’’, salienta Alcino do Prado Vieira, que defende a combinação da medicina oriental com a ocidental, pois essa união permite conhecer o ser humano como um todo.
Pacientes O psicólogo Sérgio Ricardo Belon, 34 anos, de Londrina, conta que está fazendo a terceira sessão de acupuntura. ‘‘Além de fumar, eu tenho problemas de estômago e intestino’’, reclama. Fumante desde os 19 anos, ele diz que já tentou parar muitas vezes, mas nunca obteve sucesso. ‘‘Com este tratamento estou sentindo uma melhora significativa. Eu fumava um maço de cigarros por dia, agora estou fumando uma carteira em dois dias. A acupuntura tira a necessidade da nicotina no corpo, diminuindo a vontade de fumar’’.
A dona de casa Rosa Hirano, 38 anos, de Assaí, revela que fumava há 20 anos e já havia perdido as esperanças de parar com o vício. ‘‘A acupuntura era minha última tentativa. Eu queria muito deixar de fumar, mas precisava de ajuda, pois sozinha não conseguia’’. Há dois meses ela começou o tratamento, realizando três sessões. ‘‘Já na primeira, a vontade de fumar diminuiu a ponto de conseguir me controlar. Estou há dois meses sem colocar um cigarro na boca. No começo eu ainda sentia vontade, agora nem isso’’, comenta Rosa Hirano vitoriosa.
O contabilista José Luíz Marezi, 53 anos, de Apucarana, começou o tratamento há 20 dias e garante que está obtendo bons resultados. ‘‘Eu fumo há 30 anos e já tentei parar várias vezes, mas nunca consegui. Depois que iniciei as sessões de acupuntura, a ansiedade pelo cigarro diminuiu muito. Desta vez estou confiante de que vai dar certo’’, aposta ele.
Serviço: Acupuntura e Clínica Geral para Tratamento de Alcoolismo e Tabagismo – fone (43) 342-1933.

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