O aposentado Anacleto Gracino, 72 anos, sabe que as mudanças bruscas de temperatura trazem problemas respiratórios. Em 1997, ele descobriu que sofria de asma, e isso o obrigou a adotar certos hábito de vida para evitar ataques da doença. As crises, segundo ele, trazem dores e pontadas nas costas, falta de ar e muita canseira. Os períodos mais críticos, como sabem os portadores desses males, ocorrem durante o inverno devido às baixas temperaturas. Em julho passado, na crise mais grave que teve desde que identificou o mal, o aposentado revela que perdeu sete quilos em pouco mais de duas semanas.
Durante a primavera, quando a temperatura sobe gradativamente, Anacleto diz que há uma melhora em sua qualidade de vida, mas ainda não dá para deixar de lado a medicação, pois é uma estação onde há muita variação no clima. Depois de algumas semanas com clima quente e seco, basta a chegada de uma frente fria para que o tempo apresente mudanças ''da noite para o dia''. Em virtude da queda de temperatura registrada na semana passada, por exemplo, Anacleto teve que retornar ao médico e levar para casa alguns medicamentos, como antiinflamatórios e produtos para inalação que, segundo ele ''machucam o bolso''.
Anacleto, morador em de Rolândia, está entre os 10% dos brasileiros comprometidos pela asma, uma doença crônica caracterizada por inflamações nas vias aéreas (brônquios). Anualmente, ela é responsável por 400 mil internações hospitalares, 2 mil mortes, incontáveis assistências ambulatoriais principalmente nas emergências e ausências no trabalho e na escola.
Sempre doentes A doença, segundo o pneumologista Nivaldo Fazolo, de Londrina, é perene, ou seja, as pessoas estão sempre com os brônquios inflamados e pioram com algum motivo a mais, como variações de temperatura e umidade. Chiados no peito e falta de ar são sinais de uma crise. Além disso, a asma é difícil de ser percebida por metade das pessoas acometidas. O pneumologista destaca que até mesmo a classe médica tem dificuldade na identificação. Muitas vezes, é preciso utilizar um aparelho que mede a capacidade respiratória do doente.
As alergias, segundo o médico, também agravam o problema. A doença tem ligação estreita com a asma. Cerca de 90% dos asmáticos entre 2 e 16 anos são alérgicos. O risco de desenvolver asma é dez vezes maior nessas pessoas. Atualmente, 40% da população apresenta algum tipo de alergia.
Outros agentes que podem levar às crises respiratórias são fumaça de cigarro, poeira, animais domésticos, ácaros, poluição, algumas substâncias químicas, alimentos. O pneumologista destaca que os aditivos de alimentos industrializados como os antioxidantes, aromatizantes, corantes, conservantes, são responsáveis por muitas crises.
Entre os piores fatores agravantes, Fazolo coloca a poeira doméstica e o cigarro. ''Peles e pêlos liberados pelo organismo sustentam os ácaros que se alojam nos tapetes, cortinas, colchões, travesseiros''. O cigarro, segundo o médico, tem como agravantes o calor e a fumaça. Além de uma caprichada limpeza diária na casa, ele orienta o uso de produtos próprios para a faxina que matam esses bichos. Ele alerta que o mercado oferece inúmeros itens que prometem mas não conseguem combater esses insetos. ''A seção de limpeza dos supermercados é um horror em cheiros''.
Tratamento Fazolo lembra que a doença traz as características do ambiente da pessoa, onde ela mora, local de trabalho, com o que ela convive. Por isso, ele orienta que o asmático preste atenção em tudo o que faz. ''Isso evita situações e produtos que levem às crises. Há até remédios para asma que podem provocar crises'', alerta.
A asma, garante o especialista, pode até ter cura se for tratada corretamente. Fazolo diz que quanto mais cedo se identificar a doença e iniciar o tratamento, maiores serão as possibilidades de contê-la. Nas crianças, as chances são maiores: cerca de 80% dos casos. ''Nos adultos, esse índice cai para para 20%''. Ele explica que a doença merece tratamento mesmo que o portador esteja bem, pois é com o tratamento constante que a doença se estabiliza, há melhora nas condições de vida da pessoa, permitindo que as crises não se manifestem mais.
O pneumologista acrescenta que a inflamação vai endurecendo os brônquios e, consequentemente, diminui a capacidade respiratória. ''Asma tratada diminui o número de crises, o sofrimento e a mortalidade''.
O tratamento da doença é feito através de cortisona, ''o antiinflamatório da asma'', usado na forma oral ou como inalante, dependendo da severidade do caso. O ideal é que seja feito um tratamento profilático e o paciente controle a asma todo dia, mesmo que ache que não precise. ''A medicação inalada é a melhor forma de tratar o problema, já que o remédio é aplicado no local necessário. As formulações atuais à base de pó seco modernizaram as famosas ''bombinhas'', incluindo duas substâncias num mesmo produto. Assim duas inalações por dia são suficientes para o controle'', acrescenta Fazolo. n

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