'Às vezes, eles querem chamar a atenção'
''A orientação de uma alimentação saudável deve levar em conta os sentimentos do adolescente'', afirma a psicóloga da disciplina de Nutrição e Metabolismo da Unifesp Denise Bellotto de Moraes, responsável por pesquisa que avaliou o comportamento de 316 adolescentes de 10 a 19 anos de uma escola privada de São Paulo.
No levantamento, verificou-se que metade das 178 meninas estavam insatisfeitas com seus corpos contra 30% dos meninos. Das garotas, 30% faziam dieta sem precisar. ''Estamos falando de uma população que tem acesso à orientação. Por que um número tão grande de dietas inadequadas? Se não trabalhamos com os mitos, crenças do nosso corpo, não chegamos a lugar nenhum'', afirma.
Para ela, a escola é um meio próprio para discutir as transformações do corpo, os padrões ditados pela indústria da beleza. ''Você pode ajudar a montar uma visão mais crítica. Na adolescência, as alterações hormonais capacitam para o ato sexual. Passa a ser importante ser atraente e o corpo é uma questão central'', diz Denise. Ela afirma que a necessidade de independência e de ser aceito em um novo ambiente, que não o da família, fazem com que o adolescente, mais vulnerável, busque enquadrar-se nos padrões ditados na mídia.
Para a pediatra Maria de Fátima Coutinho, os pais devem estimular a alimentação e hábitos saudáveis, como praticar exercícios, além de se preocuparem em ouvir as angústias dos filhos. ''Às vezes, eles estão querendo chamar a atenção. Se não usam a boca para falar, o corpo fala''. (F.L.)





