As texturas que o inverno traz
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sexta-feira, 06 de novembro de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Vinte anos se passaram desde que Paulo Borges colocou em prática seu plano a longo prazo para a moda brasileira: o maior evento de moda da América Latina. Entre os poucos veículos nacionais convidados para a primeira edição, a Folha de Londrina esteve lá conferindo o então chamado MorumbiFashion Brasil, hoje reconhecido internacionalmente como São Paulo Fashion Week (SPFW).
Profissionalizar todos os setores da cadeia têxtil era um dos objetivos do evento, que voltou a acontecer na Bienal (depois de algumas edições realizadas no Parque Villa-Lobos). O clima de revival tomou conta dos corredores, principalmente pela exposição de peças, fotos e até maquetes de salas de desfile que marcaram a história da SPFW nas duas décadas. Até Gisele Bündchen, que se despediu das passarelas no primeiro semestre, deu o ar da graça em duas fotos. As londrinenses Michelle Alves e Fabiana Semprebom também foram lembradas entre as tops icônicas do evento.
Durante uma semana, 29 desfiles foram apresentados para o público que passou não só pelo Parque Ibirapuera, mas como outros espaços espalhados por São Paulo. Até mesmo a Prefeitura Municipal serviu de palco para a apresentação de Alexandre Herchcovitch, que sugeriu que os convidados usassem o transporte público para ir e vir do desfile. O estilista, a jornalista e apresentadora Lilian Pacce e até mesmo o prefeito Fernando Haddad foram de ônibus e metrô.
Para o Inverno 2016 que ainda vai chegar, a maioria das grifes e estilistas segue apostando em temperaturas amenas. Não por acaso, a renda segue com força em toda sua leveza e transparência. A estilista Fernanda Yamamoto foi até a Paraíba encontrar o trabalho precioso das artesãs de renda renascença. Já Ronaldo Fraga veio até o paranaense Vale da Seda para a parceria com a seda artesanal e o conceito que O Casulo Feliz vem multiplicando na região.
As texturas são o grande hit da estação fria, que, realmente, não é lá tão fria por aqui (e olha que estamos no Sul). O tricô canelado principalmente nas golas altas já antecipa sua presença nos guarda-roupas invernais. Assim como o veludo molhado, que foi resgatado de antigos baús com seu brilho e suavidade. Apareceu nas passarelas da Osklen, Amapô e Animale. Nas peças da Ellus, o veludo vem mais encorpado. Patricia Bonaldi trouxe para a sua segunda marca, a PatBo, cordas e ráfia para criar guerreiras com toques náuticos artesanais.
Com uma aposta em temperaturas mais baixas, Gloria Coelho revisitou seu caderno de coleções dos últimos 20 anos para apresentar traços e detalhes que acompanham suas criações como os zíperes. O couro marca presença importante no inverno de Gloria, que fez um mix de texturas com pelos e peles. Reinaldo Lourenço, que há 20 anos era casado com Gloria (os dois são pais de Pedro Lourenço, talento promissor na moda internacional), olhou para Portugal para se inspirar em uma coleção rica em materiais, modelagens e estampas, que passam longe da obviedade dos azulejos azuis e brancos.
Confira nas próximas edições da Folha da Sexta, mais destaques da SPFW, tanto em maquiagem, acessórios, moda masculina e outras tantas apostas para o guarda-roupa feminino.















