No caso da auxiliar administrativo Elizandra Feijó a compulsão por compras passou dos limites. ''Não conseguia comprar apenas uma peça de roupa, um sapato, um perfume. Mesmo sem precisar, comprava quatro blusas, cinco sapatos e assim por diante'', relata.
Ela admite que se deixava levar pelo impulso e que comprava de maneira exagerada. ''Não conseguia me conter e ao adquirir um produto uma felicidade tomava conta de mim. Aos poucos, porém, fui percebendo que meu comportamento não estava normal. Os momentos felizes começaram a se transformar em culpa.'', desabafa.
Mas foi somente quando passou a contrair muitas dívidas que Elizandra ''caiu na real''. Seus amigos e familiares, segundo ela, alertavam para a necessidade de buscar ajuda e diziam com frequência que seu comportamento estava doentio. ''Mas eu me fingia de cega e ia 'levando com a barriga'. Na realidade, todos percebiam a gravidade da situação, menos eu. Na minha cabeça eles eram carrascos quando na verdade queriam apenas me ajudar'', admite.
Aos poucos, as consequências negativas começaram a aparecer e Elizandra, enfim, porcurou ajuda. ''Começou a interferir no meu dia a dia. As pessoas deixaram de confiar em mim. O comportamento compulsivo e as dívidas contribuíram para que uma relação de sete anos com uma pessoa maravilhosa terminasse'', lamenta.
A partir daí, ela resolveu dar o primeiro passo e começou a participar do grupo Devedores Anônimos. Procurou terapia e orientação médica. ''Cheguei a tomar medicamentos. Foi um processo doloroso, mas mudei meus hábitos e renegociei minhas dívidas. Admitir a impotência é o primeiro passo para a libertação'', considera.
Apesar de levar uma nova vida, Elizandra não se sente curada. ''Mantenho-me sempre vigilante. Evito ter crédito e tento gastar somente o necessário. Para tanto, procuro ficar longe das tentações. Gasto sim, mas com reserva. Fiquei com um trauma tão grande que não quero passar por tudo de novo', afirma. (P.C.B.)

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