Para Eunice Fernandes, conselheira familiar e terapeuta de casal, diversos são os motivos que levam as pessoas a sentirem necessidade de oficializar a relação mesmo após muitos anos morando juntas. A maior razão, segundo ela, normalmente é a chegada dos filhos. ''Os pais querem dar o exemplo para a criança'', afirma.
Outros motivos citados por Eunice são a forte idealização - principalmente das mulheres - em formar uma família e a necessidade de seguir o legado dos seus antepassados. ''Em muitos casos o casamento é uma imposição involuntária, uma vez que os avós, pais, tios e primos são casados'', explica a terapeuta, ressaltando que a importância do ritual do casamento continua forte nos dias de hoje.
A psicóloga clínica Vilmara Sanches Russo acrescenta que as pessoas ainda buscam se enquadrar aos padrões pré-estabelecidos pela sociedade. ''Os ritos de passagem estão enraizados na nossa cultura e passam de geração para geração'', salienta.
As profissionais destacam que muitas pessoas sentem receio de assumir uma vida a dois, preferindo ''experimentar'' antes de oficializar a relação. ''Existem muitos medos e inseguranças que giram em torno do casamento. As mulheres, por exemplo, podem questionar se vão dar conta de ser esposa, mãe, dona de casa e profissional'', explicam.
Indagadas se o fato de oficializar o casamento, após muitos anos de convivência, pode amadurecer o relacionamento e oferecer mais segurança, elas afirmam que ''isso varia de caso para caso, mas que de modo geral espera-se que aconteça alguma mudança''.
''O que se busca acima de tudo e independentemente do caso é a felicidade'', resumem as profissionais que atuam na Clínica Reaprender, em Londrina. (P.C.B.).

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