Angela Raizer Barbosa
Depois que o médico americano Kenneth Cooper começou a alardear, no final da década de 60, as vantagens dos exercícios físicos, milhares de pessoas vêm invadindo ruas, praças e parques dispostas a se exercitar. Caminhar, nadar, correr e jogar bola são alguns dos exercícios que a grande maioria das pessoas pratica nas horas de lazer, sem se preocupar com a necessidade de uma orientação especializada. Conhecidos como atletas de fim de semana, muitos deles acabam lesionando músculos, ligamentos e articulações devido à falta de preparo físico para enfrentar essas maratonas semanais.
Com isso, médicos e fisioterapeutas se vêem as voltas com verdadeiros surtos de lesões osteomusculares, que atingem grande parte desses esportistas eventuais. Isso sem contar os atletas profissionais, praticantes de esportes de alto nível, que também estão sujeitos a lesões apesar da intensa preparação física. É nas quadras e nos campos de futebol, por exemplo, que se concentram as modalidades destruidoras de articulações em função do massacrante esforço físico exigido.
Os jogadores de futebol Ronaldinho, que está fora dos campos depois de uma cirurgia no joelho, e Roni, afastado da Seleção Pré-Olímpica após contusão muscular, da mesma forma que a atacante de vôlei Ana Moser, obrigada a abandonar o vôlei por problemas nos joelhos, são exemplos recentes dos perigos da sobrecarga física.
Sedentários Acompanhando o aumento da prática esportiva e, consequentemente, o aumento dos riscos de lesões, a medicina desportiva também evoluiu nos últimos anos, melhorando muito a capacidade de detectar e monitorar esses problemas. É através de especialidades como ortopedia, fisiatria e fisioterapia, que são estudados e tratados os músculos e as articulações dos membros superiores e inferiores, além da coluna lombar, mais propensos a ser lesionados durante a prática de qualquer atividade física.
Segundo o médico ortopedista Leopoldo Hoffmann Storti, é considerado atleta sedentário aquele que se exercita menos de três vezes por semana. ‘‘São pessoas que trabalham durante a semana e só se dedicam às atividades físicas aos sábados e domingos. O ideal seria fazer pelo menos três caminhadas durante a semana, com orientação profissional de aquecimento e alongamento’’, recomenda o ortopedista, acrescentando que os esportes de impacto como futebol e musculação devem ser evitados pelas pessoas que têm vida sedentária. Ele observa que a grande maioria das lesões acontece no início da atividade, assim, qualquer tipo de exercício deve ser precedido de aquecimento’’, recomenda.
Quando alguma problema acontece, geralmente sinalizado pela dor, a recomendação é interromper imediatamente o exercício e procurar um especialista para verificar a lesão que ocorreu. ‘‘Com o diagnóstico precoce, a chance de recuperação é muito mais rápida e eficiente’’, observa Storti. É aqui que entram as máquinas de última geração que vão dar com precisão o diagnóstico.
Exames Do antigo e ainda eficiente Raios X passando pelas ultrassonografia e tomografia computadorizada até chegar à ultramoderna ressonância magnética, nunca foi tão fácil desvendar o interior do corpo humano com agora. ‘‘Os avanços conquistados na área se devem muito à evolução da tecnologia. Com princípios diferentes, cada máquina tem sua indicação’’, afirma a médica radiologista Susi Tagima, que integra a equipe especializada em medicina desportiva da Ultramed, clínica de diagnósticos.
‘‘Enquanto o Raios X ainda é importante para detectar fraturas, o ultrassom dá o diagnóstico de lesões de músculos e tendões, que podem ser confirmados com mais precisão pela ressonância magnética, considerada um marco na medicina desportiva desde seu lançamento, no final da década de 80’’, diz a radiologista.
Mas é na ressonância magnética que está o avanço mais recente no campo do diagnóstico por imagem. Com esse exame, os especialistas conseguem mapear com precisão milimétrica as áreas a ser diagnosticadas. Na tela, imagens digitalizadas permitem analisar a região afetada de todos os ângulos. ‘‘As suspeitas do médico são confirmadas pela ressonância magnética, que possibilita melhor planejamento e resultado cirúrgico ou até evitar uma cirurgia desnecessária’’, garante Susi Tagima.Equipamentos sofisticados aprimoram o diagnóstico de lesões em atletas
Arquivo FolhaOs músculos e as articulações dos membros inferiores e superiores, além da coluna lombar, são mais propensos a sofrer lesões durante a prática de qualquer atividade físicaPaulo Wolfgang‘‘Com o diagnóstico precoce da lesão, a chance de recuperação é muito mais rápida e eficiente’’, garante o ortopedista Leopoldo StortiPaulo Wolfgang‘‘As suspeitas do médico são confirmadas pela ressonância magnética, que possibilita melhor planejamento e resultado cirúrgico ou até evitar uma cirurgia desnecessária’’, garante Susi Tagima

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