O Natal e as festas de fim de ano estão chegando e, para muitos, também a fase das depressões. Muitas vezes, esse sentimento de desamparo e desânimo é provocado por datas que trazem lembranças tristes. Ou por perdas, como a de entes queridos, separações, desemprego, doenças. Todos esses fatos provocam o que podemos chamar de depressão natural. É normal e necessário que alguém se deprima quando sofre uma perda.
O que não pode ser aceito como natural é a depressão patológica, aquela que persiste por anos e transforma o dia a dia numa relação de mau-humor, tristeza, mágoa e falta de perspectiva. Esse tipo de depressão é classificado como doença, precisa de acompanhamento médico e tem hoje excelentes tratamentos.
Nas festas Os sinais das festas de fim de ano estão nas ruas e as pessoas pensam nos presentes e nas viagens de férias. De uma forma ou de outra, com mais dinheiro ou menos dinheiro, está começando a estação do ano na qual costumamos fazer balanços, projetos e festas.
O que pode parecer a época mais feliz do ano, para muita gente é o contrário. Natal e encontros de família, para essas pessoas, podem se transformar nos momentos mais tristes e difíceis de suportar. Na maioria das vezes, são pessoas deprimidas ou que estão passando por uma crise de depressão.
Para algumas, a causa está nas lembranças desse período, na falta de alguém, por exemplo, e a tristeza costuma ir embora assim que as festas se vão. Para outras, o Natal só vem agravar uma sensação de desânimo e falta de auto-estima que torna todas as coisas difíceis e sem graça alguma, o ano inteiro. Essas pessoas precisam de compreensão e ajuda médica, pois estão sofrendo.
O Natal está chegando e, embora seja a época que mais afeta os depressivos, a depressão é um mal que ataca em qualquer estação do ano. Virou também uma espécie de mal da nossa época, certamente porque vem sendo estudada mais do que nunca foi antes e, com certeza, porque a indústria farmacêutica investiu muito nessa área, com resultados animadores. A Organização Mundial da Saúde estima que 15% da população mundial apresente algum quadro de depressão ao longo da vida.
Tristeza O primeiro passo é tentar distinguir entre a depressão natural, aquela provocada por um sentimento de tristeza por alguma perda e a depressão patológica, que se agrava e permanece sem uma razão e precisa ser tratada por especialistas.
A depressão natural ou normal pode ser provocada por fatos graves como a perda do emprego, a morte de algum ente querido, o fim de um casamento, uma doença séria, o afastamento de um filho. São perdas que precisam de um tempo para serem absorvidas e superadas. Tentar ignorá-las será sempre pior.
Tentar fazer de conta que esse fato não afeta a vida, é lutar contra um sentimento que mais tarde voltará em forma de depressão muito mais grave.
Para essas depressões que têm causa conhecida, e para aquelas pessoas que se sentem deprimidas de tempos em tempos, há uma série de sugestões que podem ajudar a reduzir seus efeitos sem o uso de medicamento. Uma das mais eficazes é o exercício físico. Começar uma atividade qualquer, seja caminhada, ciclismo ou natação, dá ao corpo e à mente uma disposição nova capaz de animar o resto do dia.
Psicoterapia Quando a depressão não é mais a consequência direta de fatos que estão nos afetando, ela precisará ser tratada por especialistas, muitas vezes com psicoterapia e medicamento. Esses casos são identificados por sérias alterações no cotidiano e que se repetem por semanas. São irregularidades no sono, às vezes com insônia, às vezes com sono demais, e que sempre resultam numa grande sensação de cansaço ao acordar.
São sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada, que podem se juntar a idéias de suicídio e de morte. Perda de interesse ou falta de prazer em quase todas as atividades, incluindo festas, passeios e atividade sexual, na maior parte do tempo e quase todos os dias. A depressão também se manifesta por alterações no apetite e, consequentemente, no peso, com ganhos e perdas. E interfere no sistema imunológico: uma pessoa deprimida, tende a ter suas doenças agravadas.
As depressões patológicas podem ter causas genéticas e biológicas, entre outras. Mas há também razões sociais que explicariam, por exemplo, a razão pela qual a depressão é duas vezes mais frequente em mulheres. A identificação correta da depressão e o adequado tratamento dependerão do histórico de cada um.
A depressão precisa ser levada a sério e tratada em todas as idades. Uma criança pode estar deprimida e os adultos à sua volta podem achar que está apenas querendo chamar a atenção. Os jovens, mesmo estudantes universitários, também são vítimas da doença.
Os idosos são os que precisam de maior atenção. Com a perda de familiares, da saúde, das atividades que costumava exercer, do salário, o idoso reúne muitos motivos para cair em depressão. Não podemos, de forma alguma, enxergar esse quadro como natural. Medicado e melhor cuidado, esse nosso pai, tio, amigo ou avô poderá viver o resto de sua vida muito mais feliz.

Serviço:
Jocelem Mastrodi Salgado é professora titular de Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz-USP. É autora de ''Pharmacia dos Alimentos Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças'', Editora Madras.

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