As dicas dos mestres
Se por um lado os alunos estão mais questionadores e até desrespeitosos com os professores, os mestres de hoje também tentam encontrar caminhos para atrair os pupilos e se aproximar deles sem perder a autoridade. Caso contrário não teriam condições de entrar na sala de aula e desempenhar suas funções.
A liberdade conquistada pelos adolescentes e a idéia de que professor deve ser amigo são armadilhas que, segundo os mestres, levam ao desrespeito. ''A liberdade é boa porque hoje os alunos são mais questionadores, não aceitam tão fácil as coisas como antigamente. Mas é preciso ter controle dessa liberdade. O professor carrasco não tem mais espaço, mas a amizade não pode ser confundida com falta de limite e de ordem'', ensina o professor de biologia Antônio Césare Babboni.
''O posicionamento do professor em sala é fundamental para garantir uma boa aula e o respeito dos alunos. Professores muito autoritários não são bem aceitos, mas os mais liberais acabam sofrendo com o abuso dos alunos. O ideal é que o professor consiga ser enérgico e amigo também'', diz a diretora auxiliar do Vicente Rijo, Cleise Mari Horn.
Todos garantem que a maioria dos alunos se arrepende depois de uma discussão e que os casos extremos são muito raros. ''Quando tenho algum problema, o que é difícil, peço para o aluno sair da sala e converso depois. Geralmente eles pedem desculpa, e o professor precisa saber entender e não ficar de marcação para evitar outras discussões'', comenta Babboni.
Definir as regras das aulas no começo do ano é outra dica dos mais experientes. ''Os jovens gostam de conversas francas, de ser tratados como adultos. Brigar e gritar não adianta. Expor as regras e negociar concessões é o melhor caminho. E quando tenho problemas prefiro pedir para o aluno sair e conversar depois'', afirma o professor e diretor José Donizetti Brandino.
''Não gosto de mandar aluno para a direção. Prefiro resolver o problema apenas entre eu e ele. Minha disciplina é boa de trabalhar e quase nunca tenho problemas, mas se eles acontecem, conto até dez para não revidar'', comenta a professora de português Shirley José Fernandes, que já foi xingada por um aluno, mas achou melhor ignorá-lo e deixar que direção resolvesse o problema . ''Tentar impor respeito com pressão e autoritarismo não funciona com os jovens de hoje. A amizade com o professor é importante para ajudar no aprendizado, mas é importante colocar limites porque o jovem não sabe separar as coisas direito'', garante a assessora de psicopedagogia do Marista, Rosane Gomes.
O preparo do professor com a matéria também ajuda na hora de controlar a sala e evitar os abusos. ''Se o professor prepara sua aula, sabe o conteúdo e tem dinâmica, o aluno passa a admirá-lo e, consequentemente, respeitá-lo'', diz Cleise. ''O aluno sempre testa o professor, os limites dos adultos. Por outro lado também pede para que alguém lhe dê limites. Se o professor consegue fazer isso com amizade, ele não terá problemas'', ensina Rosane. (H.F.)





