Cris Poli não voa, não tem visão de raio X e muito menos levanta carros com apenas um dedo. Mas quando aparece para ajudar uma família em apuros, parece mesmo ter superpoderes. Versão brasileira da SuperNanny inglesa (que surgiu como um programa de televisão na Inglaterra e ganhou o mundo), a educadora esteve em Londrina esta semana para o lançamento dos livros ''Filhos Autônomos, Filhos Felizes'' e ''Pais Separados, Filhos Preparados'' (ambos da editora Gente) e um bate-papo no Colégio Universitário.
''As pessoas querem sempre uma solução rápida'', diz Cris Poli, que desde que começou a aparecer regularmente na televisão se vê cercada de pais e seus mais diversos problemas. ''Não tem uma receita de bolo, colocando tanto e outro tanto vai dar certo'', lembra. Ela explica que é preciso conhecer um pouco mais a situação para poder se manifestar. ''Mas tem muitas perguntas práticas também que posso responder na hora'', conta a educadora, com mais de 40 anos de experiência.
''A primeira dica é não ter medo de ser pai'', avisa. ''Ninguém nasce sabendo ser pai. É algo que se aprende durante o processo'', garante. A segunda dica importante é ''não ter medo de dar limite aos filhos, de dizer não'', diz. Para a educadora, a rotina e a organização da casa é que vão ''ajudar a criança a amadurecer''.
''A maioria dos casos problemáticos é com crianças de quatro anos'', lembra Cris. ''Se não foi dado limite até então, os pais chegam a esse ponto e não aguentam. Os filhos assumem o comando'', relata. ''Os pais percebem que se isso não mudar, os filhos vão se tornar marginais no futuro'', sentencia. ''Os filhos são responsabilidade dos pais. Há a influência do meio, da tevê, da internet, mas são os pais os responsáveis pelo que entra em casa. As babás só precisam cuidar das crianças e os avós já criaram seus filhos'', argumenta.
Divulgadora-mor do ''cantinho da disciplina'', a educadora não fala em castigo. ''Castigo é punição, machuca. Já disciplina é mudar um procedimento errado para um certo'', ensina. O cantinho, segundo Cris, é um lugar em que a criança ''vai parar para refletir, mas antes é preciso estabelecer regras'', completa. A idade ideal para iniciar o método é a partir dos 2 anos, 2 anos e meio. ''É quando a criança começa a entender o que os pais estão querendo ensinar'', explica.
''A maioria dos pais hoje tem pouco tempo para os filhos, mas esse deve ser um tempo de qualidade. Use esse tempo para colocar as coisas no lugar, para se conhecer, sem medo e sem culpa. Os pais, principalmente as mulheres, sentem muita culpa por não ter muito tempo com os filhos'', recomenda.
''Briguinhas entre irmãos são normais. É um processo de ajuste em que cada um está conquistando coisas novas. Mas é preciso lembrar que cada filho é um filho e dividir os horários para estar com eles separadamente'', ensina a SuperNanny.
Tema do novo livro de Cris Poli, os pais separados merecem atenção. ''Eles precisam tentar ao máximo continuar com os laços de amizade porque os filhos continuam sendo filhos para sempre'', alerta. ''Toda separação é difícil, um não quer ver o outro, mas é necessário pensar no bem dos filhos, fazer esforço para dialogar e não falar mal um do outro para os filhos'', lembra. ''Os pais devem sempre falar a verdade porque a criança é um 'pára-raio' da casa. Fale claramente, no limite da compreensão da criança, sobre o que está acontecendo'', orienta

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