Rosângela Vale
Tulipas, girassóis, margaridas, anjinhos e vaquinhas transformam-se em objetos utilitários e charmosos nas mãos dos alunos especiais da Escola João XXIII, da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) de Ibiporã. Feitos em madeira, ganham formas e cores para enfeitar a casa e alegrar o ambiente. São aparadores de porta, cestas de ovos, porta-guardanapos, porta-revistas, porta-panelas e vasinhos de flores, peças artesanais que a cada dia ganham mais adeptos.
A demanda tem sido tão grande que foi preciso convocar o trabalho voluntário de algumas mães. Cerca de duas mil peças são produzidas mensalmente. ‘‘Estamos estudando parcerias para aumentar a produção’’, diz a diretora Ireny Sorge Nascimento. Segundo ela, não há quantidade mínima estipulada para encomendas. ‘‘Atendemos qualquer pedido’’, garante. Contando com 30 alunos com idade a partir dos 14 anos, a oficina profissionalizante da escola tem clientes assíduos nas lojas do Shopping Catuaí, Mercado do Shangri-lá, Rolândia, Goiânia e algumas cidades do Estado de São Paulo.
De acordo com Ireny, o objetivo do projeto é oferecer aos alunos portadores de deficiência a oportunidade de vivenciar o trabalho, tendo contato com noções de responsabilidade, pontualidade, assiduidade, desempenho e produtividade. A idéia vem dando bons resultados. ‘‘Alguns até já conseguiram colocação no mercado’’, diz, informando que a própria escola contratou um dos alunos para o setor de marcenaria.
Doações Antes de fazer parte da equipe de produção, os alunos passam por uma pré-oficina, onde aprendem a trabalhar com a madeira obtida, em parte, através de doações feitas por indústrias de móveis da cidade. ‘‘Aproveitamos aqueles pedaços pequenos que elas acabam inutilizando’’, observa a diretora. Divididos em salas diferentes e com professores específicos, eles são responsáveis por todas as etapas de produção: do risco na madeira até à montagem da peça, passando pelo corte, lixamento, pintura e seladora, que dá o acabamento.
Parte da renda obtida com a venda dos produtos é destinada aos próprios alunos que participam do projeto. ‘‘É uma espécie de bolsa auxílio’’, explica a professora de marcenaria e acabamento Rosângela Maia. O restante cobre as despesas da escola, que atende 230 alunos nas áreas de estimulação precoce, educação, treinamento básico e oficina profissionalizante, oferecendo ainda atendimento clínico. A equipe multidisciplinar da escola tem três médicos, três fisioterapeutas, três fonoaudiólogos, dois psicólogos, um dentista, um auxiliar de enfermagem e um assistente social.
Serviço:
Centro Educacional João XXIII da Apae de Ibiporã - fone: (043) 258-1381Alunos da Apae de Ibiporã ajudam na manutenção da escola produzindo peças utilitárias e decorativas
fotos: Mário CésarTulipas, girassóis e margaridas transformam-se em objetos decorativos e utilitáriosO girassol vira porta-guardanapo; a charmosa vaquinha e o simpático cozinheiro são aparadores de portaEm madeira pintada, o anjinho é perfeito para ser colocado em prateleiras ou estantesA galinha ‘‘guarda’’ os ovos na cestinha; porta-panelas ganham formato de peixeAlunos especiais na oficina profissionalizante: jardim de margaridas em fase de produção

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