Em plena era digital em que fotos acabam esquecidas em celulares e computadores, uma nova arte que preza pela fotografia em papel vem ganhando cada vez mais adeptos. No scrapbook, as fotos são trabalhadas de maneira criativa e junto com diferentes tipos de papeis, carimbos e vários outros detalhes ganham vida em álbuns temáticos e personalizados. Estima-se que o scrapbook tenha surgido por volta de 1800, ainda sem o uso de fotografias, porém, conforme a scraper Larissa Batista, foi em 2001 que esta forma de artesanato virou febre nos Estados Unidos. "Depois dos atentados de 11 de setembro os americanos passaram a dar mais importância à preservação da memória e os scraps viraram moda", relata.

A mania chegou ao Brasil aos poucos, mas veio para ficar. Prova disso são as pessoas que tomaram o scrapbook como profissão como é o caso de Larissa, de 26 anos. A jovem londrinense, formada em pedagogia, acabou transformando seu hobby em trabalho, quando há dois anos abriu seu próprio ateliê. "Sempre gostei de trabalhos manuais, meu pai é artesão e, quando criança, sempre fui estimulada a fazer artesanato, mas nunca tinha encontrado algo que me realizasse. Em 2006 comecei a fazer cursos e em 2008 dei as primeiras aulas de scrap."

Empreendedora, hoje, além das aulas em Londrina, Larissa dá cursos em todo o Brasil, vende kits de scrap pela internet e faz álbuns por encomenda. "Sou extremamente apaixonada pelo que faço e senti que era hora de profissionalizar meu trabalho. Abrir o ateliê foi um passo ousado e que me abriu muitas portas, mas também foi muito difícil, pois o hobby virou uma empresa", afirma.

De acordo com Larissa, o scrapbook é muito mais do que um simples álbum de fotografias. "É um álbum de memórias. O scrap serve para contar histórias. Quantas vezes a gente não pega uma foto e não lembra onde estava ou até mesmo com quem estava? Os álbuns de scrap servem para isso, para registrar aquele momento e abrigar as memórias", explica. "O que me encantou no scrapbook foi isso. O fato dele ter uma finalidade", acrescenta. No seu último álbum de viagens, por exemplo, Larissa colocou junto com as fotos ingressos de lugares visitados, mapas, moedas e uma espécie de diário, onde anotava tudo o que havia vivenciado no local.

Tamanho capricho e dedicação fizeram com que Larissa se tornasse conhecida em todo o País pelo seu trabalho. A scraper - que se prepara para dar um curso em Caruaru, Pernambuco, no próximo mês - conta que busca inspiração para seus trabalhos em suas fotos e explica que os álbuns de scrap refletem a personalidade de quem os cria. "Na hora de montar o álbum procuro tentar pensar: o que essas fotos passam para mim? Sempre digo que o scrap reflete o que você é. Sua personalidade, seu estilo...".

Para quem se identifica com esse tipo de arte e quer começar a fazer scrapbook, Larissa dá a dica. "Tire muitas fotos, de preferência com qualidade, de momentos que representam sua vida e esqueça as fotos posadas. Vai tirar fotos de criança, por exemplo? As fotografe brincando no parquinho e sujas de tinta, o resultado será muito mais legal. O segundo passo é revelar essas fotos e começar o trabalho", aconselha.

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| Foto: Fotos: Lis Sayuri
Formada em pedagogia, Larissa Batista, de 26 anos, transformou sua paixão pelo scrapbook em negócio: "Montar o ateliê foi um passo ousado e que me abriu muitas portas"
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