Arsenal masculino
Rosângela Vale
Enviada Especial
Já há algum tempo o homem decretou sua independência fashion, elegendo outro aliado na hora de se vestir. Ao invés do crivo feminino, a aprovação do espelho. Resgatando o poder sobre a sua própria imagem, lançou-se então à descoberta de um novo mundo: texturas, comprimentos, cores, modelagens. E deparou-se com a fatídica questão que a cada temporada instiga os apaixonados pela moda: o que usar na próxima estação.
Com a democratização de estilos, as passarelas também acabaram se transformando em grandes espelhos. Difícil não se encontrar lá. Fiéis a sua identidade o que também é uma conquista brasileira recente as grifes oferecem a seu público específico exatamente o que ele deseja: elegância, tradição, despojamento, ousadia, vanguardismo ou descontração. Tudo isso está reunido nas coleções masculinas de outono-inverno 2000, apresentadas no MorumbiFashion, semana passada, em São Paulo.
Alguns elementos permeiam quase todas as criações, delineando as principais tendências que vêm por aí. Via de regra, as calças aparecem um pouco mais curtas, na altura do tornozelo. As modelagens são diversas: das justas às oversize. O marrom e os tons derivados, como bege, caramelo e café garantem a sobriedade típica da estação, contrastando com o vermelho, o abóbora, o verde e os violáceos. Soberano, o couro ganha cores quentes além das tradicionais, e surge em camisas, calças e jaquetas. E o foulard (lenço de pescoço) confere o toque clássico ao visual. Para quem faz o estilo, é acessório indispensável. Objeto de desejo: as camisas da Iódice com efeito amassado em pequenas áreas: na barriga ou nos braços.
Brancos, com leve brilho, ou de veludo, como fez a Forum, ou sob camisetas de malha fina, no look inusitado de Ricardo Almeida, que também sugere grandes bolsos laterais na calça, os ternos vêm com variados números de botões, transpassados ou não, a gosto do freguês. Para a M. Officer, a melhor escolha é não usá-los. Com a justificativa sociológica de que o terno é herança da colonização e nada compatível com o clima brasileiro, Carlos MiSle ordenou a queima do traje no grand finale de seu desfile. Segundo o estilista, que foi impedido de entrar em um banco porque vestia bermuda, trata-se da ditadura da falsa elegância. Quem concorda que acenda o primeiro fósforo.





