Arquitetura em papel
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quinta-feira, 03 de setembro de 2009
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
Sapos, peixes, pássaros e flores em poucos minutos ganham forma e vida nas habilidosas mãozinhas dos alunos do ensino fundamental da Escola Megumi. Como se não bastasse a atenção exigida para transformar um simples pedaço de papel em brinquedo, os pequenos aprendem a arte de dobrar papéis no idioma japonês. As aulas de origami, de acordo com a diretora da escola, Rute Ayumi Sakai, fazem parte das atividades complementares do curso de língua japonesa para crianças e jovens.
Uma das vantagens do origami como recurso educacional para crianças, é trabalhar noções básicas da matemática, como formas geométricas, capacidade de raciocínio e, principalmente, de concentração. Hoje as crianças recebem muitos estímulos que desviam a atenção. Com o origami trabalhamos a concentração, com a vantagem de que elas aprendem palavras novas em japonês, como a ordem das dobras e expressões específicas como triângulo, quadrados e círculos, ressalta Rute.
Uma das comparações lembradas pela diretora são os brinquedos da marca Lego, formados por pequenas peças, ou ainda o quebra-cabeça. Para que o brinquedo se transforme em um objeto, é preciso soltar a imaginação, porém, dentro de uma certa lógica. Serve de estímulo à criatividade dos alunos, acrescenta.
As dobraduras encantam, mas também testam a ansiedade de cada aluno. A diretora da escola conta que algumas crianças acabam pedindo ajuda por apresentarem dificuldade de concentração. A criança mais agitada, antes mesmo de começar a aula, já avisa que não sabe fazer. Então, antes de iniciar dobradura, a professora explica o que será feito, e avisa que é para ter tranquilidade, diz Rute.
Chuva de kaerus
Emi Ito, de 8 anos, está na 3ªsérie e explica que prefere criar o kaeru (sapo em japonês) nas aulas de origami pois é a figura com a qual sente-se mais acostumada, além de o brinquedo pular. Gosto de fazer o sapo. Esta é a quinta vez que aprendo, conta. O colega de atividade, Vinícius Yudi Ikagawa Fujimura, de 7 anos, anima-se com a brincadeira, porém, confessa que precisa recorrer à professora para começar e finalizar as dobraduras. Prefiro fazer o peixinho, mas sempre esqueço o começo e o fim.
Na sala ao lado, a atividade do dia é aprender a criar o passarinho que come. Para Gabriel Takeshi Ida, de 12 anos, o prazer de aprender o origami está no fato de as dobraduras exigirem fina coordenação motora e atenção. Para ele, o desafio da prática é treinar a memória na sequência de passos de cada dobradura. Além do que o garoto aprende nas aulas de japonês, ele conta que utiliza a internet e livros especializados para pesquisar novas formas.
Na programação do Londrina Matsuri 2009 estão previstas oficinas de origami e caligrafia japonesa a partir de hoje até o encerramento do evento.
Arte para adultos
Rute explica que a palavra origami vem da junção de ori, que significa dobrar, e kami, papel. Além das formas básicas, o origami também é voltado para adultos e, por isso, ganha status de arte no Japão. Em níveis mais avançados é possível confeccionar máscaras e objetos considerados verdadeiros desafios para a mente de seus criadores.
No Japão, as crianças aprendem a fazer o origami nas escolas, e também dentro de casa, pois a arte milenar de dobrar papéis é transmitida de geração a geração. A data em que surgiu é desconhecida, mas acredita-se que a origem está relacionada a um costume religioso, já que divindades representadas em papel enfeitavam templos. A dobradura mais popular é a figura da ave tsuru (grou em português). Quando alguém está doente são oferecidos mil grous para que a pessoa volte a ficar saudável o quanto antes. Enquanto dobram os tsurus, as pessoas depositam fé na recuperação do enfermo. (E.S.)
Fonte: Aliança Cultural Brasil Japão


