Sa­pos, pei­xes, pás­sa­ros e flo­res em pou­cos mi­nu­tos ga­nham for­ma e vi­da nas ha­bi­li­do­sas mão­zi­nhas dos alu­nos do en­si­no fun­da­men­tal da Es­co­la Me­gu­mi. Co­mo se não bas­tas­se a aten­ção exi­gi­da pa­ra trans­for­mar um sim­ples pe­da­ço de pa­pel em brin­que­do, os pe­que­nos apren­dem a ar­te de do­brar pa­péis no idio­ma ja­po­nês. As au­las de ori­ga­mi, de acor­do com a di­re­to­ra da es­co­la, Ru­te Ayu­mi Sa­kai, fa­zem par­te das ati­vi­da­des com­ple­men­ta­res do cur­so de lín­gua ja­po­ne­sa pa­ra crian­ças e jo­vens.
  Uma das van­ta­gens do ori­ga­mi co­mo re­cur­so edu­ca­cio­nal pa­ra crian­ças, é tra­ba­lhar no­ções bá­si­cas da ma­te­má­ti­ca, co­mo for­mas geo­mé­tri­cas, ca­pa­ci­da­de de ra­cio­cí­nio e, prin­ci­pal­men­te, de con­cen­tra­ção. ‘‘Ho­je as crian­ças re­ce­bem mui­tos es­tí­mu­los que des­viam a aten­ção. Com o ori­ga­mi tra­ba­lha­mos a con­cen­tra­ção, com a van­ta­gem de que ­elas apren­dem pa­la­vras no­vas em ja­po­nês, co­mo a or­dem das do­bras e ex­pres­sões es­pe­cí­fi­cas co­mo triân­gu­lo, qua­dra­dos e ­círculos’’, res­sal­ta Ru­te.
  Uma das com­pa­ra­ções lem­bra­das pe­la di­re­to­ra são os brin­que­dos da mar­ca Le­go, for­ma­dos por pe­que­nas pe­ças, ou ain­da o que­bra-ca­be­ça. Pa­ra que o brin­que­do se trans­for­me em um ob­je­to, é pre­ci­so sol­tar a ima­gi­na­ção, po­rém, den­tro de uma cer­ta ló­gi­ca. ‘‘Ser­ve de es­tí­mu­lo à cria­ti­vi­da­de dos ­alunos’’, acres­cen­ta.
  As do­bra­du­ras en­can­tam, mas tam­bém tes­tam a an­sie­da­de de ca­da alu­no. A di­re­to­ra da es­co­la con­ta que al­gu­mas crian­ças aca­bam pe­din­do aju­da por apre­sen­ta­rem di­fi­cul­da­de de con­cen­tra­ção. ‘‘A crian­ça ­mais agi­ta­da, an­tes mes­mo de co­me­çar a au­la, já avi­sa que não sa­be fa­zer. En­tão, an­tes de ini­ciar do­bra­du­ra, a pro­fes­so­ra ex­pli­ca o que se­rá fei­to, e avi­sa que é pa­ra ter ­tranquilidade’’, diz Ru­te.
Chu­va de kae­rus
  Emi Ito, de 8 ­anos, es­tá na 3ªsé­rie e ex­pli­ca que pre­fe­re ­criar o kae­ru (sa­po em ja­po­nês) nas au­las de ori­ga­mi ­pois é a fi­gu­ra com a ­qual sen­te-se ­mais acos­tu­ma­da, ­além de o brin­que­do pu­lar. ‘‘Gos­to de fa­zer o sa­po. Es­ta é a quin­ta vez que ­aprendo’’, con­ta. O co­le­ga de ati­vi­da­de, Vi­ní­cius Yu­di Ika­ga­wa Fu­ji­mu­ra, de 7 ­anos, ani­ma-se com a brin­ca­dei­ra, po­rém, con­fes­sa que pre­ci­sa re­cor­rer à pro­fes­so­ra pa­ra co­me­çar e fi­na­li­zar as do­bra­du­ras. ‘‘Pre­fi­ro fa­zer o pei­xi­nho, mas sem­pre es­que­ço o co­me­ço e o ­fim’’.
  Na sa­la ao la­do, a ati­vi­da­de do dia é apren­der a ­criar o ‘‘pas­sa­ri­nho que ­come’’. Pa­ra Ga­briel Ta­kes­hi Ida, de 12 ­anos, o pra­zer de apren­der o ori­ga­mi es­tá no fa­to de as do­bra­du­ras exi­gi­rem fi­na coor­de­na­ção mo­to­ra e aten­ção. Pa­ra ele, o de­sa­fio da prá­ti­ca é trei­nar a me­mó­ria na se­quên­cia de pas­sos de ca­da do­bra­du­ra. ­Além do que o ga­ro­to apren­de nas au­las de ja­po­nês, ele con­ta que uti­li­za a in­ter­net e li­vros es­pe­cia­li­za­dos pa­ra pes­qui­sar no­vas for­mas.
  Na pro­gra­ma­ção do Lon­dri­na Mat­su­ri 2009 es­tão pre­vis­tas ofi­ci­nas de ori­ga­mi e ca­li­gra­fia ja­po­ne­sa a par­tir de ho­je até o en­cer­ra­men­to do even­to.


Arte para adultos
  Rute explica que a palavra origami vem da junção de ‘ori’, que significa dobrar, e ‘kami’, papel. Além das formas básicas, o origami também é voltado para adultos e, por isso, ganha status de arte no Japão. Em níveis mais avançados é possível confeccionar máscaras e objetos considerados verdadeiros desafios para a mente de seus criadores.
  No Japão, as crianças aprendem a fazer o origami nas escolas, e também dentro de casa, pois a arte milenar de dobrar papéis é transmitida de geração a geração. A data em que surgiu é desconhecida, mas acredita-se que a origem está relacionada a um costume religioso, já que divindades representadas em papel enfeitavam templos. A dobradura mais popular é a figura da ave tsuru (grou em português). Quando alguém está doente são oferecidos mil grous para que a pessoa volte a ficar saudável o quanto antes. Enquanto dobram os tsurus, as pessoas depositam fé na recuperação do enfermo. (E.S.)
Fonte: Aliança Cultural Brasil Japão

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