Arcos do triunfo
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Rosângela Vale 
Foto: DivulgaçãoA modelo Marina Dias: sobrancelhas inexistentesArqueadas, finíssimas, mais grossas ou completamente virgens: os olhos tiveram molduras diferentes a cada época. Nos anos 60, as sobrancelhas se resumiam a um fio quase invisível, uma linha muito fina que distanciava ainda mais os olhos das pálpebras. Na década do paz e amor, elas voltaram a engrossar, e as pinças ficaram esquecidas até o início dos anos 90, quando a moda pediu novamente sobrancelhas desenhadas.
Neste final de milênio, com os padrões de beleza inspirados nas musas das passarelas e não mais nas do cinema, as regras de beleza parecem beirar o extremo: sobrancelhas inexistentes, totalmente depiladas. O look foi adotado pela modelo inglesa Karen Elson e pela atriz e modelo Mila Jovovich no filme O Quinto Elemento. Entre as brasileiras, a top Marina Dias é uma das representantes desse modismo.
Foto: reproduçãoElizabeth Taylor: moldura de perfeição
Radicalismos à parte, as sobrancelhas são indispensáveis à harmonia do rosto. Elas realçam o olhar, iluminam e até levantam a expressão caída e triste. O oposto também é válido: sobrancelhas malfeitas podem dar uma expressão de braveza ou de tristeza, avisa o coiffeur Beto Maran. Segundo ele, o ideal é apenas limpar o excesso, obedecendo aos contornos naturais. Uma sobrancelha bem desenhada já garante 50% da maquiagem, observa.
Para Beto, as sobrancelhas da atriz Elizabeth Taylor são modelos de perfeição, com seus traços arcados e expressivos. Até hoje servem de inspiração para as mulheres que se interessam por cinema. Mas só as que têm sobrancelhas fartas e naturalmente arcadas podem copiar esse estilo, avisa.
O coiffeur explica que, de modo geral, o tamanho das sobrancelhas obedece a seguinte regra: trace uma linha imaginária da lateral do nariz até o canto interno dos olhos. E a outra, do mesmo ponto inicial até a ponta externa. As sobrancelhas não podem ultrapassar os limites estabelecidos por essas duas linhas imaginárias.
A atriz Pola Negri, em foto de 1924: sobrancelhas dramáticas
Erros O desenho na área próxima ao canto interno dos olhos deve ter sempre mais volume, terminando um pouco mais fino no canto externo, ensina o cabeleireiro e maquiador Vânio Bitencourt. Para alongar rostos redondos, ele sugere sobrancelhas levemente arqueadas ou retas.
Os erros que a maioria das mulheres cometem quando tiram as próprias sobrancelhas são tão comuns, que entre os maquiadores existem alguns apelidos para ironizá-los. A sobrancelha vírgula é aquela em formato de bola no começo e bem fina logo após; a sobrancelha de palhaço tem forma de acento circunflexo; e a sobrancelha pires é totalmente arredondada, revela Beto.
Sobrancelhas em tons que brigam com os cabelos também são motivo de repúdio entre os especialistas no assunto. Se forem mais claras que os cabelos, o olhar fica sem expressão. A tendência é serem do mesmo tom. Quando a mulher muda a cor dos cabelos, não deve se esquecer de mudar também a das sobrancelhas, decreta Vânio
Os segredos para mantê-las sempre bonitas são simples: lavá-las diariamente com xampu ou sabonete e penteá-las sempre com uma escovinha - uma escova de dentes velha é ideal. Se os pêlos forem rebeldes, passe gel ou spray.
Falhas ou escassez de pêlos podem ser consequência da retirada excessiva e constante. Hoje, as mulheres de 40 anos, geralmente têm esse problema, observa Beto. Para prevenir futuros aborrecimentos, Vânio Bitencourt recomenda retirar, com frequência, somente os pêlos que estiverem longe do contorno das sobrancelhas. O crescimento é muito rápido, mas a manutenção deve ser feita apenas a cada 15 ou 20 dias. Se forem continuamente retirados, os pêlos enfraquecem e páram de nascer, diz.
Segundo Beto, para corrigir falhas, o ideal é preenchê-las com lápis ou sombra um tom mais claro que o das sobrancelhas. Há ainda a opção da micropigmentação ou maquiagem definitiva, que redesenha o formato das sobrancelhas através de um pigmento injetado na pele. Beto, entretanto, faz restrições ao método. O resultado não é natural. Com o tempo, a tinta desbota e acaba se transformando num tom cinza-azulado. Há ainda o risco da tinta se infiltrar na pele, manchando o rosto, adverte.


