Italianos e alemães já aderiram. Brasileiros começam a pensar no assunto. Mas o fato é que depois de vários anos de dominação, começa a entrar em jogo a supremacia do branco na cozinha. Há pelo menos 15 anos que não se via nada de novo em termos de eletrodomésticos. As novidades chegaram recentemente, com a injeção de cores não só nos laminados e outros materiais utilizados nos móveis, mas também nos eletrodomésticos. Geladeiras, fornos de microondas, freezers e até mesmo exaustores passaram a ter não só um visual mais arrojado, com formas arredondadas, como também cores ousadas.
Há cores para todos os gostos. O único problema ainda é falta de hábito do brasileiro. Acostumado à idéia do branco, sempre associado à limpeza, ele ainda não pensa em dispensar os antigos eletrodomésticos brancos. Por isso, as vendas dos novos eletrodomésticos ainda é insignificante no mercado. Dado que, por mais desanimador que pareça, ainda não desestimulou quem resolveu adotar a nova moda na produção desses aparelhos. ‘‘Nossa previsão é atingir pelo menos 30% das vendas do mercado com aparelhos coloridos’’, explica um dos gerentes de produtos da Electrolux em Curitiba, Walter Mushino. ‘‘O consumidor brasileiro ainda é muito tradicional, mas deve se acostumar com o tempo. Creio que atingiremos nossa meta até o final do ano 2000’’.
DivulgaçãoBranco e amarelo, uma combinação perfeita para quem quer começar uma revolução na cozinhaTendência importada Segundo o gerente da Electrolux, a tendência surgiu em países como a Itália e a Alemanha, onde hoje é mais do que comum a presença de eletrodomésticos coloridos nas casas. É o resultado de um processo que começou há pelo menos quatro anos. ‘‘Foi quando pequenas empresas começaram a pintar os eletrodomésticos. A demanda foi crescendo até que outras empresas maiores resolveram entrar no ramo. Uma delas foi a Zanussi, nossa representante lá fora. Ela começou lá, e nos incentivou a trazer os produtos também para o Brasil. Assim, adaptamos as cores ao gosto dos brasileiros, pintando nossos produtos de azul, amarelo e vermelho. No norte e no nordeste, por exemplo, as pessoas gostam de produtos bem coloridos’’.
É só lembrar das geladeiras do tempo da vovó. Geralmente vermelhas, ou então em amarelo e azul bem clarinhos, elas tinham puxadores gigantescos e pés que mais pareciam esquis. Antiquadas para a época, moderníssimas para os dias de hoje, elas indicam que tudo não passa de uma volta ao passado. ‘‘É como a moda dos cabelos e das roupas’’, explica Mushino. ‘‘O único problema ainda é o preço porque a produção é toda diferenciada. As tintas são compradas em quilos e não em toneladas, como acontece com a linha branca. E as peças plásticas também tem que ter uma produção especial. Mas para nós o importante é sair da mesmice. Por isso, investimos na cor como o principal diferencial de nossos novos produtos’’.
Mário CésarA maior procura é mesmo pelas cozinhas brancas com detalhes coloridos, como esta da Homer
Parece mesmo que quanto mais colorido melhor. Como se não bastassem os eletrodomésticos, agora as próprias cozinhas estão ganhando cores. Quem confirma é o designer da Homer Cozinhas, com fábrica em São José dos Pinhais e filial em Londrina, David Cezar Teixeira. Segundo ele, as cozinhas estão mesmo mudando de cara. ‘‘Quando lançamos os laminados coloridos, a aceitação pelos profissionais de decoração e arquitetura foi super-rápida’’, diz ele. ‘‘Por isso, acho que a tendência é mudar mesmo. Hoje, pelo menos 20% de nossas vendas são de cozinhas com cores misturadas. Já houve um cliente que comprou uma cozinha totalmente azul, mas a grande procura é mesmo pelas brancas com detalhes em cores. É onde entram os eletrodomésticos coloridos, dando uma espécie de toque final à decoração’’.DivulgaçãoHerança antiga, o vermelho da geladeira da vovó passa para o moderno microondas da ElectroluxVivian de Albuquerque

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