Ar no fim do túnel
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quinta-feira, 15 de março de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Tosse, falta de ar, chiado no peito, desconforto toráxico. Esses são os sintomas mais comuns para os cerca de 10% da população que sofre com a asma alérgica, inflamação crônica dos brônquios de origem genética. Muitas vezes confundida com uma simples alergia ou uma bronquite, a doença limita bastante a vida do paciente e em alguns casos pode ser fatal.
''A asma pode matar por uma crise forte de falta de ar ou pela sobrecarga que a má respiração causa no coração, provocando problemas cardíacos. As limitações também são muitas para o paciente: faltas no trabalho ou na escola, baixa qualidade do sono, incapacidade de realizar exercícios físicos'', afirma a pneumologista Liliane Shimizu.
Os portadores da doença em seu estado grave conhecem de perto todos esses problemas. Neles, as crises são bastante frequentes e os medicamentos disponíveis não oferecem bons resultados. ''Aproximadamente 10% dos asmáticos são de nível grave e a mortalidade entre eles é alta'', garante.
Para esse grupo de pessoas, a vida é bastante impactada pela ameaça constante de uma nova crise e a falta de eficácia dos tratamentos convencionais. Mas uma droga que está no Brasil há cerca de um ano pode ser a solução para esses casos. Trata-se da terapia anti IgE Xolair (omalizumabe).
O medicamento funciona inibindo a produção do anticorpo Imunoglobulina E (IgE), liberado pelo corpo quando ocorre o contato com algum agente alérgeno, como poeira e odores fortes. O IgE provoca uma reação inflamatória das vias aéreas, que se estreitam e incitam os sintomas da asma. ''Com o tratamento é possível evitar as crises causadas pela reação alérgica, mas esse medicamento é indicado comente para pacientes de asma grave que já tenham tentado outras terapias e não tenham obtido sucesso, uma vez que o produto é muito mais caro que outros disponíveis no mercado'', comenta Liliane.
Crianças menores de 12 anos, pacientes obesos ou com níveis de IgE muito altos não são aconselhados a usar o remédio. ''Pelo menos até agora existe um limite para o uso. Não se sabe os riscos de aplicar o medicamentos em crianças pequenas. Para obesos e pacientes com alto grau de IgE o problema é o mesmo. Eles precisariam de uma dose maior do que o limite seguro de uso'', explica a médica.
O tratamento é feito com injeções subcutâneas a cada 30 ou 15 dias, dependendo da gravidade de cada caso. ''É importante lembrar que o Xolair não cura o paciente. Ele deve ser encarado como um medicamento de controle da asma grave, que deve ser indicado e acompanhado por um especialista. Tenho dois pacientes que estão fazendo tratamento e os resultados têm sido muito bons, mas eles mantêm a regularidade das aplicações, que só devem ser interrompidas por ordem médica.''


