Aquecimento solar
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sexta-feira, 09 de dezembro de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Verão, sol, praia, piscina. Tempo de férias, viagens, de se refrescar e aproveitar para pegar uma corzinha. E é nessa última etapa que começa um grande problema enfrentado principalmente por pessoas que moram em países quentes como o Brasil: o câncer de pele.
Sinônimo de beleza e saúde, a pele dourada, conquistada depois de horas de exposição ao sol, também é a maior responsável pelo surgimento do tumor mais comum no País. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), somente em 2004 foram 86.525 novos casos de câncer, entre benignos e malígnos. O pior é que cerca de 85% deles poderiam ser evitados se houvesse cuidado com a pele desde a infância.
O câncer de pele pode surgir por diversos fatores, como hereditariedade, uso de certas medicações ou produtos químicos e exposição à radiação. ''Mas, menos de 10% dos casos estão relacionados a esses fatores. O inimigo número um é, sem dúvida, o sol. Quando ele incide sobre a pele causa uma agressão no núcleo da célula, que utiliza a melanina para se proteger. Por isso ficamos morenos, para proteger um núcleo que está sendo agredido. Por mais leve que seja o bronzeado, ele sempre representa um dano à célula'', afirma a dermatologista Lígia Márcia Mario Martin.
Lígia é a coordenadora, em Londrina, da Campanha Nacional de Prevensão ao Câncer da Pele, que acontece amanhã em todo o Brasil. ''Estaremos atendendo a população para exames gratuitos na pele, com o intuito de diagnosticar possíveis melanomas, carcinomas ou manchas de risco'', garante. O atendimento será das 8 às 12 horas, na Associção Médica de Londrina.
Mas identificar o câncer de pele ou possíveis indícios do problema é algo que pode ser feito em casa também. A especialista explica que existem três tipos de tumores na pele: o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanona. ''O primeiro é o mais comum e menos agressivo, não oferecendo risco de vida. O segundo pode oferecer risco, mas pequeno. O mais perigoso é o melanoma, que também é o mais raro'', diz.
O aspecto de cada um deles é diferente, o que facilita o prévio diagnóstico em casa. De acordo com a médica, os basocelulares são manchas superficiais com ondulações peroladas róseas. ''Eles podem ser retirados com cirurgias e geralmente aparecem na parte de cima do rosto. Não matam, mas podem se espalhar e deformar toda a pele'', comenta.
Já os espinocelulares aparecem na parte de baixo do rosto e no corpo, são mais agressivos e podem causar a morte do paciente. ''Eles crescem mais rápido e se parecem com feridas que não cicatrizam. Em alguns casos, eles podem entrar em contato com a corrente sanguínea e se desenvolver em órgãos internos, levando à morte. São tratados com cirurgia ou quimioterapia'', afirma.
Os melanomas são mais raros e fáceis de identificar. Parecem pintas de bordas irregulares, assimétricas e com mais de uma tonalidade. Geralmente têm mais de seis milímetros de extensão. ''São os que oferecem maior risco de romper a epiderme, chegar ao sangue e atingir outros órgãos, levando o paciente à morte. Felizmente são os mais raros'', diz.
A dermatologista revela que o melanoma pode atingir todas as raças e aparecer em qualquer parte do corpo. ''Nos negros, geralmente, ele surge nas extremidades do corpo e não é causado pelo sol. Para pessoas de pele clara pode surgir à partir de uma mancha ou nevo. Quem tem qualquer dessas marcas precisa estar sempre atento para uma mudança na aparência, que pode ser o início do tumor'', alerta a dermatologista.
Outra causa do câncer de pele, de todos os tipos, inclusive o fatal, é a câmara de bronzeamento artificial. Com uma radiação 40 vezes maior que a do sol, ela é proibitiva, segundo Lígia. ''Essas máquinas não oferecem nenhuma segurança, não são inspecionadas. Costumo dizer que quem se submete a esses aparelhos deve ser uma pessoa completamente desinformada para não saber do risco que está correndo.''


