Aprendizado na ponta dos pés
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
''Um, dois, três e... demi plié''. É no compasso dos exercícios de balé que muitos pais e profissionais da saúde encontram o caminho ideal para o desenvolvimento infantil. E esse aprendizado vale tanto para os aspectos físicos quanto psicológicos, já que, em apenas alguns minutos de dança, é possível trabalhar coordenação motora, musicalidade, concentração, disciplina e socialização.
''Muitas alunas chegam aqui por indicação de ortopedistas e psicólogos, em busca de correções físicas, mas também para combater a timidez, falta de atenção, hiperatividade, entre outros, porque a dança é corpo, mente e espírito'', conta Ery Claudia Abujamra, professora da Escola de Ballet Artes Danças & Mimos, no Country Club de Londrina.
Com mais de 28 anos de experiência na área, Ery Claudia percebe que as mães sempre buscam a delicadeza e, principalmente, os bons princípios do balé. ''Tudo isso deve ser aliado com o respeito ao crescimento ósseo e corporal de cada criança'', diz.
Para a mãe Ana Cláudia Calixto de Oliveira, matricular a pequena Sarah, 6 anos, nas aulas de balé é atender ao pedido da filha, que desde os dois anos de idade já sabia que queria dançar. ''É algo que ela faz com imenso prazer e que tem ajudado muita na sua formação'', conta.
E há aquelas que sonham em seguir carreira profissional, como é o caso de Isabela Carolina Santos, 14 anos. Ao lado da professora Tatiana Pimenta, da Escola de Dança Gesto's Ballet, a futura bailarina alimenta a vontade de dançar em palcos estrangeiros. ''Sei que vou ter que me dedicar 100%, mas é isso que quero e minha mãe me incentiva muito, pois ela sempre gostou de balé'', comenta.
De acordo com Tatiana, hoje, ao contrário de tempos passados, as crianças já têm conhecimento sobre as modalidades de dança e têm buscado praticar aquilo com que se identificam.
E essa autonomia de escolha acabou abrindo espaço espaço para outras opções de dança, como o hip hop, street jazz, dança do ventre, flamenco, entre outras.
Dançar também é coisa de adulto
E não são só as crianças que estão optando pela dança. Tatiana observa que ''muitos adultos, até mesmo as mães das crianças estão vindo para a sala de aula se exercitar, pois aqui também encontram uma forma de lazer'', diz ela, acrescentando que não há limite de idade para os adultos, mas para as crianças o ideal é a partir dos três anos. ''Dessa idade até aproximadamente os seis anos, vamos trabalhar sempre de forma lúdica, porém, com iniciação à dança'', ressalta.
E como entrar na dança, de fato, tem se tornado uma escolha não só de crianças, mas de muitos adultos também, as escolas estão abrindo novas turmas. Como acontece na Reale Escola de Ballet, além das aulas para crianças, há várias turmas para adultos.
''Muitas acreditam que é uma tarefa difícil, mas não é. O fato de elas já terem consciência corporal, equilíbrio e coordenação é algo muito favorável'', explica a professora e bailarina Gabriela Otero, que está à frente da Reale ao lado de Cristiane Trevisan. ''A forma de enxergar a vida para quem dança é diferente. Percebo que a procura por aulas tem aumentado bastante, e não só pela intenção profissionalizante, mas pelo propósito educativo e saudável'', diz Gabriela, ao ressaltar que a Reale segue os conceitos de uma escola especializada. Além de balé clássico, oferece aulas de balé de repertório e contemporâneo, hip hop, flamenco, dança de salão, iso stretching e jazz.
E no balé, como em todo aprendizado, o tempo é precursor do aperfeiçoamento da técnica e da delicadeza que a modalidade exige. Porém, isso é assunto para o decorrer das aulas. Agora, o importante é conhecer o universo da dança, deixando que o corpo e a mente falem por tudo isso.


