Aprender é uma tarefa nem sempre agradável e ensinar é algo que muitas vezes exige um certo dom que a gente não sabe direito de onde vem. Para ajudar aqueles profissionais que não nasceram sabendo a difícil arte de saber lecionar, e, por consequência, seus alunos, muitos teóricos desenvolveram métodos variados. Alguns já se tornaram conhecidos da população e outros estão presentes em escolas que buscam o novo.
É o caso do sistema sócio-interacionista adotado pela Escola Educativa de Londrina. O nome é complicado mas o funcionamento do método é simples. ''Esse método foi desenvolvido pelo estudioso Vygotsky, que dizia que o homem adquire cultura e conhecimento através da relação com o meio. Na escola, isso pode ser aplicado pelo trabalho em grupo e pela vivência prática do conteúdo aprendido'', explica a coordenadora pedagógica da escola, Michelle Brambilla Kozuki.
Dessa forma, ela diz que o professor é um mediador para o aprendizado, feito pelo próprio aluno com a discussão de temas, tomada de decisões, pesquisas, visitas e entrevistas. ''Partimos do ponto que o aluno nunca vem vazio para a sala de aula. Ele sempre traz um conhecimento prévio do assunto, pelo que vê na TV, escuta alguém falando ou imagina'', lembra.
Depois de pesquisar o assunto em questão, geralmente os alunos fazem uma visita a algum lugar ou entrevistam um profissional da área. Só depois é que o conhecimento teórico e científico será apresentado. ''Na época da Copa, por exemplo, usamos o tema para estudar a Alemanha e a cultura do povo alemão. Para estudar os mamíferos, levamos os alunos para uma fazenda para conhecerem uma vaca e acompanhar a ordenha'', exemplifica.
O que para muitos pode parecer apenas um passeio divertido, Michelle garante que as atividades vão muito além. ''A vivência de coisas diferentes faz a criança crescer e melhorar intelectualmente. Cada passeio, visita ou entrevista é uma visão de mundo que o aluno ganha. Isso eles vão levar para a vida toda'', comenta.
Segundo ela, nem todos os conteúdos se encaixam no sistema sócio-interacionista como um todo, mas é possível utilizar o método de outras formas. ''Os nossos alunos têm aulas normais, com livros, tarefas. Todo o resto é um extra. E quando isso não é possível, incentivamos ao máximo o trabalho em grupo ou em duplas'', garante.
Outro ponto positivo das atividades fora de sala de aula, é a possibilidade de os alunos mostrarem suas habilidades. ''Já tivemos uma aluna que era supertímida e quase não participava na sala. Um dia fizemos um acampamento e ela liderou boa parte das tarefas, como organizar as barracas, ajudar na cozinha. Isso ajuda na interatividade e na auto-estima dos alunos'', lembra.
Geralmente os alunos fazem uma atividade extra por bimestre, onde o maior número de disciplinas é englobado. ''Cada professor cobra os alunos de uma maneira. Não é só um passeio, mas ainda assim os alunos nunca perdem. E esse tipo de programa faz com que os estudantes gostem de aprender e tenham prazer em vir para a escola'', afirma.
De acordo com a dona de casa Maria Fátima da Silva, que tem dois filhos na Educativa, a maneira de ensinar realmente encanta os alunos. ''Digo que eles deveriam fazer um hotel aqui porque eles nunca querem ir embora. Além de gostarem do local, percebo que o aprendizado é bom. Eles usam na vida aquilo que aprendem nas atividades'', garante.
Para a dona de casa Ellen Balieiro, cuja filha, Bruna, 9 anos, estuda na escola, o sistema ajuda os alunos a ganhar maturidade. ''Já aprendi muita coisa sobre Londrina com minha filha, porque não somos daqui. Ela me conta do museu, do estádio. Acredito que aprender na prática seja muito melhor e percebo isso com a Bruna'', conta. ''Gosto de tudo na escola. Lembro de uma entrevista com uma escritora que foi legal e quando fui ao museu aprendi como eram as roupas de antigamente'', completa a menina.

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