Aprendendo a ser pai
Edvaldo Tenório Pereira, 18 anos, é o pai coruja de Guilherme, um rechonchudo garoto de três meses. Esteve presente durante toda a gravidez da companheira Rosicleide, de 17 anos, e chegou a dormir na porta da maternidade no dia do parto. Orgulha-se de ter dado a primeira mamadeira, troca fraldas, dá banhos no filho. Ele reconhece que a paternidade ocorreu por displicência. Avesso à camisinha, sempre parava no meio da relação sexual para retirá-la.
Durante a gravidez, numa visita de pré-natal ao Hospital das Clínicas da UFPe, foi abordado pelo pessoal do Programa Papai. Participou de palestras, onde se informou melhor sobre o assunto da gravidez e pôde conversar sobre o papel do pai. Também aprendeu mais coisas sobre métodos anticoncepcionais e recebeu orientação sobre cuidados com o bebê e a mãe no pós-parto. ''É um trabalho legal, mas, às vezes, eu ficava muito encabulado porque tinha mais mulher do que homem nas palestras''. Val agora está ansioso para levar o filho com ele ao campo de futebol.
Mesmo tão animado, ele não pensa em aumentar a prole. A solução ficou a cargo da mãe, que vai passar a tomar pílula anticoncepcional. Para ele, a grande mudança provocada por Guilherme foi a perda da liberdade. ''A gente antes vivia nas danças'', disse. Sustentado pelos avós, o casal sonha com própria casa. Mas ainda é um sonho muito distante. Val parou de estudar, tem feito trabalhos temporários. Tudo o que consegue é gasto com Guilherme.
Ricardo Gomes passou pelo Papai aos 19 anos, quando nasceu Caio, hoje com dois anos. Para ele, o mérito do projeto foi ajudá-lo a conciliar a responsabilidade da paternidade com a possibilidade de continuar a vida e ser feliz. Ele conta que ao saber da gravidez da ex-namorada, achou que o mundo tinha acabado e passaria a viver para sobreviver, sem direito a se divertir, a namorar.
''Na minha cabeça tudo ficou muito pesado'', lembra. ''Eles me ajudaram a encontrar o equilíbrio. Descobri que devia continuar a ser pai mesmo que o relacionamento com mãe não desse certo''. Hoje o bebê passa o dia com mãe, que mora com a avó, e as noites e os finais de semana com o pai, que vive com mãe.
(A.L.)





