Aprendendo a mudar a atitude existencial
Para a psicóloga e terapeuta corporal Adelaide Rotter, os remédios antidepressivos só mascaram o problema. As pessoas que tomam esses medicamentos durante anos consecutivos, achando que estão melhorando, vivem uma ilusão. Ao longo do tempo, eles destroem a estrutura psicológica do indivíduo, avisa. Segundo ela, o ser deprimido tem toda uma história antecedendo a doença. Até mesmo a depressão pós-parto não pode ser reduzida à simples queda hormonal, afirma.
Uma pessoa que teve uma família de padrões muito exigentes, por exemplo, pode tentar suprir, pelo resto da vida, as expectativas dos pais sem se dar conta de que estas não são as suas reais expectativas. Em algum momento crítico da vida, a depressão pode se manifestar de forma arrasadora, adverte a terapeuta.
Esse comportamento familiar normalmente passa de geração a geração, por isso, acredita-se que a depressão tem um componente hereditário. Mas é possível romper esse processo se o indivíduo se conectar com a sua vida e seus reais objetivos, passando outros valores para seus filhos e livrando-os, assim, dessa predisposição genética. Em suma, o ser deprimido precisa aprender a mudar a sua atitude existencial diante da vida, ensina.
Adelaide explica que existe no quadro depressivo muita raiva que foi suprimida da percepção. Gosto de dizer que a depressão é a raiva virada do avesso. A solução é deixar fluir as emoções.
Ela revela que o primeiro passo do tratamento é mobilizar a respiração, aumentando a chama da vitalidade, quase apagada em uma pessoa deprimida; depois é preciso dar chão ao paciente, o que é feito através de técnicas psicoterapeuticas de enraizamento. O objetivo é resgatar o livre fluxo energético vital. Assim, a cura passa a ser vista como um sentimento de gratidão pela vida.
A terapeuta lembra que tudo o que é vivo é orientado para o prazer. Para o doente com depressão, esse prazer não existe, portanto, fica insuportável viver. De acordo com ela, uma tentativa de suicídio é um pedido de socorro e uma descarga de raiva. É, sobretudo, a busca de alívio para o grande sofrimento interno.(R.V)





