Aprendendo a língua de Cervantes
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quinta-feira, 01 de março de 2001
Vivian Ávila Pavan Especial para a Folha da Sexta 
Buenos días; Mucho gusto en conocerte são expressões que integram o aprendizado de niños brasileiros ainda nos primeiros anos da escola. Muito rápido e, de uma maneira lúdica, eles incorporam o vocabulário espanhol ao brasileirês do dia-a-dia. Aprender o espanhol faz parte também da agenda de atividades de um grande número de adolescentes e adultos, um contingente que só vem aumentando nos últimos anos.
A coordenadora do Centro de Línguas Estrangeiras do Colégio Londrinense, Elke Sathler Rosa, se diz surpresa com o interesse e o bom aproveitamento que alunos do ensino fundamental II (da 5ª a 8ª séries) e ensino médio vêm demonstrando pelo espanhol. O idioma é ensinado na escola desde o ano passado.
Cristiane Böohme, proprietária da Hispano, franquia especializada na língua, observa que a procura pelo idioma triplicou desde o início das atividades, há um ano e meio. Para ela, jovens e adultos estudam a língua de olho num futuro profissional mais promissor. Os pais vêem, hoje, a necessidade de os filhos aprenderem uma terceira língua, enfatiza.
Não são poucos os exemplos dessa urgência, comenta Cristiane. Rotineiramente, a escola recebe pedidos de médicos e engenheiros que, de malas prontas para trabalhar na Espanha, se vêem na emergência de aprender a língua em 30 dias. Recentemente, um engenheiro queria ter aulas entre o Natal e Ano Novo, lembra a professora. Como o portunhol também já não resolve a comunicação internacionalizada em grandes empresas locais, empresários estão investindo na capacitação de seus funcionários, que cada vez mais estão frequentando manuais do idioma.
O Mercosul alavancou o estudo do espanhol no Brasil todo, sustenta Martha Garcia Machado, professora e coordenadora dos cursos de Espanhol e Inglês das escolas Fisk. Ela entende que as possibilidades de trabalho criadas com o Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul), integrando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, fez o povo daqui ficar de olho comprido no Espanhol.
Antes disso, segundo ela, a necessidade de entender, e bem, nossos vizinhos turistas que lotam sobretudo o litoral nesta época do ano, fez também com que vendedores, ambulantes, despertassem para essa ferramenta implementadora do mercado. Seja para vender aqui ou comprar do lado de lá da fronteira, a verdade é que o brasileiro vem soltando a língua para não enrolar a negociação.
A professora de língua espanhola Elvira Lluesma Y Gozalbo, do Laboratório de Línguas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), acredita que o crescente interesse de estudantes e profissionais pelo idioma não tem só romantismo: Há muita gente indo trabalhar na Espanha, frisa.
A favor dessa integração a professora, nascida em Valência, destaca a semelhança de aspectos culturais entre os dois países, citando a culinária e o bom humor ancorado no gosto por contar piadas. A cultura espanhola é familiar, diz ela, que todo o ano revisita a terra natal.
Conforme Elvira, espanhol e inglês encabeçam a procura dos cursos oferecidos pelo laboratório da UEL. Há também aulas de alemão, japonês, italiano, francês e árabe. Os cursos são semestrais. Nas aulas de espanhol, os alunos exercitam o Método Comunicativo que utiliza a gramática como apoio e não um fim para o aprendizado do idioma. Textos produzidos são teatralizados e filmados. A aula é amena e os alunos aprendem se divertindo, ressalta Elvira, comentando a reduzida desistência.
Afivelando malas De acordo a Secretaria de Comércio e Turismo Espanhol, a Espanha recebeu 270 mil brasileiros no ano passado, 25% mais que em 1999. A previsão é de que o número cresça 15% este ano. Para isso, a partir de abril, uma campanha publicitária do governo espanhol vai divulgar cursos de línguas na Espanha.
A rota Brasil/Espanha integra cada vez mais o destino de milhares de estudantes ávidos por conhecer novos cenários, ampliando horizontes culturais e profissionais. Gabriela Costa, da Central de Intercâmbio (CI), identifica um aumento no número de brasileiros que querem aprender o idioma na Espanha. Hoje, mensalmente, só a agência de Londrina (são 15 escritórios no país) viabiliza em torno de quatro cursos em escolas espanholas. Há cinco anos, apenas uma pessoa fazia o roteiro.
Especializada em turismo jovem e programas educacionais no exterior, a CI, além de cursos de idiomas, graduação e especialização, oferece a opção de estágio remunerado para universitários em cerca de 70 países.
Para julho, a agência programa curso de espanhol na Escola Don Quijote, em Barcelona, com duração de três semanas. Prepare as economias. O intercâmbio custa U$ 939 para despesas com o curso, acomodação em casa de família em quarto individual e café da manhã.
Conforme Gabriela, em grandes centros como São Paulo, a fila para um bom emprego é encurtada se o candidato fala, no mínimo, duas línguas estrangeiras: O espanhol é uma delas.. A vivência no exterior, o conhecimento de outras culturas são outros aspectos que empresas também vêm valorizando. Viajando, a pessoa adquire conhecimentos que podem ser aplicados no seu país de origem, afirma Gabriela.


