A moda brasileira está na posição em que se encontra hoje por conta de estilistas talentosos, administradores competentes e, acima de tudo, por causa dos visionários fashion. Gente que aposta com paixão no ''Made in Brasil''. Gente como Paulo Borges, idealizador da São Paulo Fashion Week, Eloysa Salomão, do Fashion Rio, André Hidaldo, da Semana de Moda Casa de Criadores, que não só ajudam a descobrir novos talentos, impulsionar as vendas lá fora, como promovem a profissionalização dentro do País.
Mas o ''feito no Brasil'' não engloba só o eixo Rio-São Paulo. Por isso mesmo, gente como a jornalista Nereide Michel e o produtor Paulo Martins também fazem a moda crescer e aparecer. E para os lados do Paraná. ''Pais'' do Curitiba Fashion Art (CFA), eles arregaçaram as mangas três anos atrás e não têm parado um minuto em busca do objetivo único: fortalecer a marca fashion estadual. ''Mais que uma passarela, armada a cada temporada para apresentar as tendências de marcas e estilistas paranaenses, o CFA está empenhado em mobilizar autoridades, empresários e comunidade em torno do objetivo de valorizar o que é criado em nossos ateliês e fabricado pelas nossas indústrias'', diz Nereide, uma das pioneiras no jornalismo de moda nacional.
Com uma causa tão nobre, a dupla não esmoreceu nem mesmo com a perda de um dos patrocinadores master às vésperas do evento. A idéia de aumentar a lista de participantes (o que possivelmente também aumentaria o número de norte-paranaenses) e passar a ter duas salas de desfile teve que ser adiada para, talvez, a próxima edição, em agosto. Para o quinto CFA, que movimentou Curitiba nos primeiros dias deste mês, nove grifes do Paraná e o estilista convidado, o gaúcho Mareu Nitschke, mostraram suas coleções outono-inverno.
Na seleta lista organizada por Nereide e Paulo, duas grifes londrinenses foram responsáveis por bons momentos na passarela montada no Centro de Exposições Horácio Sabino Coimbra. Enquanto a Ex Madame se firma como uma das queridinhas da imprensa especializada (passando longe do bairrismo porque, além dos paranaenses, o evento recebeu jornalistas de São Paulo, Santa Catarina, Goiás e até de outros países como Argentina e Uruguai), a Pura Mania segue com sua moda alto-astral e conquista o posto de queridona dos jovens.
São também dois casos de visionários. Ronaldo Silvestre descobriu cedo que seu negócio era moda. Ainda no curso de Estilismo em Moda, da Universidade Estadual de Londrina, já tinha marca e loja próprias. Mesmo assim sempre quis mais, bem mais. Conquistou convites para desfilar e fez bonito no Dragão Fashion (Ceará) e no Rio Moda Hype, evento para novos criadores paralelo ao Fashion Rio. Ele agora divide o estilo com Rafael Matter, que assina as criações masculinas.
Já a Pura Mania quase dispensa comentários. A grife de Cheblin Nabhan Filho tem quase 50 lojas espalhadas pelo Brasil e se prepara para abrir a primeira loja no exterior. O ponto de vendas em Assunção, no Paraguai, está sendo finalizado. E a idéia é não parar por aí e, sim, ir mais longe.
Na passarela do CFA, a Pura Mania também foi longe, na verdade até o Tibete, passando pelo Marrocos e pelo Líbano. O brilho do ouro ilumina os tons de verde, marrom e berinjela, com um toque oriental. No jeanswear, um dos carros-chefes da marca, a estampa xadrez é discreta, mas desperta a vontade de vestir logo uma. Assim como a saia de veludo com bordados manuais.
Aliás, as saias foram as estrelas da temporada curitibana. O estilista Silmar Alves não disfarçou o (bom) gosto que tem pelas saias e fez um desfile inteiro só com elas. Para Roberto Arad, o modelo em gomos ganha movimento em cada passo. Só ficaram de fora no desfile exclusivamente masculino de Enesoe Chan, que mesmo assim brincou com o volume das calças saruel (gancho bem baixo).
Também desfilaram Sexxes (recém-chegada da Espanha para onde passará a ter relações comerciais), Kamille Cunha, Lafort Collection e Korr.
* A jornalista Karla Matida viajou a Curitiba a convite da organização do evento

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