Apenas pelo anseio de entrar num caminho, já se presencia em nós um mestre (Waka Didático de Rikyu)
Disponibilidade financeira e de tempo são alguns pré-requisitos para a prática da cerimônia do chá. Como apresentado no livro ''Arte e Filosofia'' (Centro de Chado Urasenke do Brasil), porém, mais relevante ainda é estar consciente de que o ritual é uma cultura espiritualista de alto nível, assim como o celeiro da vida.
De todas as expressões artísticas da cultura japonesa - incluem-se pintura, música, cerâmica, caligrafia, haikai, entre outras - a que mais despertou a atenção de Maria Clara Sanae Nishimura Galvão foi a do chanoyu. ''Desde os cinco anos de idade, eu acompanhava a minha batian (avó) nas cerimônias e acabei virando a 'mascotinha' do grupo. Estou retomando aos poucos, pois me ausentei durante quatro anos em virtude de minha viagem ao Japão (onde morei por 11 meses) e pelo curso de artes visuais. Mas, em um futuro próximo, vou me dedicaar mais aos estudos da cerimônia'', disse a estudante de 21 anos.
Sua prima, Valéria Harumi Nishimura, de 13 anos, integrou recentemente uma turma de chanoyu de Londrina. ''Eu já tinha me apresentado duas vezes antes na Casa Japão e Expo Japão para servir o doce e o chá. Antes, eu e minha irmã já viemos assistir à cerimônia na casa da Mitsui san e me senti motivada. É um momento para relaxar e aprender mais sobre a cultura japonesa. É tudo muito bonito; as roupas, os movimentos. Penso em levar adiante os estudos da cerimônia do chá, pois acho que a cultura japonesa vai sendo esquecida aos poucos'', declara a adolescente.
Considerado ponto de confluência de toda cultura tradicional do Japão, o chado (caminho do chá) despertou a atenção de Klécio de Oliveira Santos, médico em Ibaiti (PR). ''Há dez anos iniciei o curso por orientação da minha professora de língua japonesa que eu estava cursando na ocasião. No decorrer das aulas, acabei me interessando pelos aspectos não apenas da língua, mas da própria cultura japonesa. Permanecendo o meu interesse, essa professora sugeriu a cerimônia do chá por englobar arquitetura, etiqueta, jardinagem, caligrafia, artesanato - já que as cerâmicas e outros utensílios são confeccionados de modo artesanal incluindo a matéria-prima, a pintura e o design'', conta. Em Londrina, Santos iniciou a prática da cerimônia desde o ano passado, devido ao falecimento de sua professora em Curitiba. ''Ela sempre foi uma pessoa empenhada em dar continuidade a esse hábito milenar, então, dar prosseguimento à cerimônia seria uma forma de mantê-la viva. Ela utilizava a seguinte frase: 'Um encontro, um momento, nunca mais se repete'', lembra o médico. (L.O.)





