Bah! Meninos... coisa de meninas... Felizmente há uma fase da vida de meninos e meninas em que isto termina. Eles começam a perceber que é perfeitamente possível existir uma duradoura amizade entre adolescentes do sexo oposto. Apesar de muita gente querer confundir com ficar, namoro ou paquera existem relacionamentos entre jovens que são, na verdade, apenas amizade. Melhor ainda, uma grande e sincera amizade.
Muita gente
pergunta
a Lorena
e a Vinicius
se eles são
namorados
Quando meninos e meninas descobrem que podem ser bons amigos acontecem coisas incríveis. Paula Ambrósio e Adalberto Silas Cunha (Paula e Bebeto, como na música de Milton Nascimento) são amigos de infância. Um dia pensaram que estavam apaixonados, mas logo perceberam que era apenas bons amigos. Hoje, ambos com 47 anos, casados (ela já é avó), continuam amigos leais. ‘‘Era uma barra quando ela brigava com o namorado. Rios de lágrimas e eu tentando consolá-la’’, lembra Adalberto. O pior foi quando tentaram iniciar um namoro. ‘‘A gente acabou confuso e chegou a brigar, mas um dia ele me convidou para tomar sorvete e demos boas gargalhadas, lembrando do nosso quase namoro’’, conta Paula. ‘‘Jamais teria dado certo porque somos muito parecidos, exigentes, e só alguém diferente e com muita paciência, como meu marido, para aturar isso’’, brinca Paula.
Namoro ou amizade? ‘‘Muita gente insiste em perguntar se a gente não é namorado’’, conta Lorenna Monteschio, 14 anos. Ela e Vinicius Tosatto, 14 anos, não se largam há quatro anos. Moram perto, vão juntos para a escola, estudam na mesma sala, fazem lição e nunca brigaram. Ele jura que nunca pintou um clima, mas ela confessa: ’’Quando eu tinha dez anos achava que gostava dele, mas era meio boba e não via que era só amizade’’.
Vivian Scarpini, 15 anos, e Edmir Ramos, 16, são amigos há dez anos. Sempre conversam muito, pessoalmente, por telefone, horas de confidências. ‘‘Só fico falando do meu namorado para ele, tadinho, e ele me dá a maior força’’, conta Vivian. Ele também desabafa muito. ‘‘Ela me ouve demais e, quando estou em dúvida, me ajuda a esclarecer’’. Quando foram separados na escola, em classes diferentes, pediram para voltar a sentar perto só para poder trocar ‘‘figurinhas’’ nos intervalos das aulas.
‘‘Ele me aconselha muito e dá sua opinião sobre o lado
masculino’’, revela Ana Amélia, amiga inseparável de Jonas
Apesar de alguns namorados ficarem enciumados do amigo, muitos acabam entendendo a relação. ‘‘Meu namorado acabou ficando também amigo do Mizoca (como Vivian chama o amigo Edmir). E nem liga que o Edmir me chama de ‘‘Lourão’’. Ele sabe que nossa amizade é linda’’, diz Vivian. ‘‘Me dou melhor com meninas do que com meninos’’, argumenta Edmir Ramos. ‘‘Acho mais fácil falar dos problemas e dos sentimentos com elas. Parece que elas nos escutam mais e sempre têm uma resposta’’.
Quando estão em casa (um na casa do outro, sempre grudados) eles riem muito. ‘‘Adoramos ver filmes na TV, comendo pipoca. Devoramos enormes potes de sorvetes e rimos muito de tudo o que aparece na telinha’’, conta Edmir. ‘‘Nunca chegaram a maliciar nossa relação’’, garante Vivian, ‘‘e para quem pergunta se existe algo entre a gente, sempre respondo que de dia fico com ele e à noite fico com meu namorado’’, declara Vivian.



‘‘Nunca pintou ciúme entre a gente’’, diz Aline Freire, 14 anos, amiga de Rodrigo Munhoz, da mesma idade. ‘‘Meus amigos vivem dizendo que eu fico mais com ela do que com eles. Até minha mãe, às vezes, fala que nós parecemos unha e carne’’, diz o adolescente. ‘‘Um menino de quem eu estava a fim perguntou se meu guarda-costas ficava sempre no meu pé. Eu disse que se ele não entendesse minha amizade nem precisava me convidar para sair’’, defende Aline.
‘‘Nós ficamos horas no shopping, rindo de tudo e de todos que pagam algum mico’’, diz Rodrigo Munhoz.
Uma visão diferente ‘‘A Ciça é de confiança, a maioria das meninas é muito fofoqueira’’, desabafa Ronaldo Assis Junqueira, 13 anos. Eles estudavam juntos desde os 8 anos. Agora mudaram de escola, mas se encontram nas aulas de inglês e fazem informática juntos. ‘‘Ela é ‘‘meu melhor amigo’’, diz o jovem, em tom de brincadeira. ‘‘Eu conto tudo sobre minhas namoradas, com quem fiquei, se beijei e meus problemas de casa’’. Ana Cecília (Ciça) Marcondes, 14 anos, garante. ‘‘Ele é mais sincero do que muitas meninas que conheço, muito falsas. Prefiro mil vezes contar tudo para ele porque sei que vai ser amigo’’, diz Ciça.
Quando eles discutem sobre esportes (ela adora futebol), e pinta alguma divergência, ficam uns dias de cara virada. ‘‘Ele acha que só gosto de jogador ruim de bola’’. ‘‘Ela assiste a todos os jogos comigo e grita demais, fala muito durante o jogo, mas, tirando isso é legal’’, diz Ronaldo, que ela chama de ‘‘Trombada’’. ‘‘É porque ele é bem alto e vive derrubando tudo pela frente’’, comenta Ciça. Ele a chama de Bolota porque ela está meio gordinha.
Ana Amélia Costa Bruno, 16 anos, e Jonas Eraldo de Lima, 14, estão grudados há 3 anos, desde que estudavam na mesma sala. ‘‘Ele mora em Paiçandu (um município vizinho de Maringá) e passa o dia na minha casa. É ótimo. Pena que nas férias a gente fique separado’’, conta a jovem. ‘‘Nunca brigamos de verdade, só de palhaçada’’, diz Ana Amélia. ‘‘Ao contrário, somos hiperconfidentes. Ele me aconselha muito. Dá sua opinião sobre o lado masculino’’, revela Ana Amélia. ‘‘Quando tenho dúvidas sobre relacionamento com outras meninas, namoros, ela me ajuda com seus conselhos porque dá sua opinião feminina sobre o caso’’, endossa Jonas. ‘‘Antes dos 12 anos pegava mal ter amizade com meninos. Depois achei legal e hoje ficamos horas ao telefone conversando’’, confessa Ana Amélia.

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