Apae paulista cria grupo de apoio
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Mogi das Cruzes (Apae-MC) surgiu para apoiar pais com filhos que apresentam dificuldades em relacionar-se com irmãos portadores de deficiência. Os conflitos surgem no dia-a-dia e, dependendo da faixa etária dos filhos, fica difícil lidar com questões rotineiras como a atenção especial que os pais dedicam ao deficiente e a aceitação do comportamento do excepcional pelo irmão. Na maioria dos casos, eles não estão preparados para essa realidade e nem sempre entendem o porquê do outro receber mais atenção, explica a psicóloga Rosani Zaramello.
Um estudo realizado pela Apae-SP no ano passado constatou que os pais não querem delegar aos irmãos sem deficiência a participação mais ativa na vida do excepcional. Os pais não querem dividir as responsabilidades e a maioria ainda acredita que essa dor é só deles, revela Marilena. Os irmãos e os pais aprendem sobre o potencial do excepcional para viverem melhor, inclusive quando o irmão tiver a tutela.
Integração Os participantes têm entre 7 e 18 anos e discutem durante as reuniões assuntos preparados por especialistas de acordo com a urgência de cada grupo. São realizadas dinâmicas para incentivar a integração dos jovens e a reflexão dos problemas enfrentados por diversas famílias com portadores de deficiência. Rosani lembra que o trabalho terapêutico visa primeiramente a compreensão dos fatos. Os sentimentos são atemporais, os mais velhos compreendem melhor a condição do irmão, enquanto que os menores têm mais dificuldades.
No Grupo de Mogi das Cruzes, os pais também recebem orientação sobre a atenção estendida ao irmão sem problemas mentais. Eles aprendem a esclarecer a deficiência específica e estimulá-lo na participação de cuidados especiais com o irmão. É vital que a família permaneça unida e possa conviver com as dificuldades, vencendo os problemas, ressalta Rosani. Além de aprender a identificar quando o próprio ciúme vem à tona, os jovens participantes conhecem atividades que podem ajudar o irmão com necessidades especiais. Outro assunto abordado nas reuniões é a mudança de comportamento quando o irmão encontra dificuldades em relacionar-se com o deficiente mental. Os encontros possibilitam a exteriorização dos sentimentos.
Segundo Marilena Ardore, ouvidora da Apae de São Paulo e assistente social que coordena o Grupo de Irmãos da capital, o ônus emocional é muito sério. Eles perderam o colo na infância e, na vida adulta, precisarão dar colo ao irmão deficiente. O irmão mais novo reclama do presente e o mais velho conta sua história. O programa da Apae-SP tem cadastrado quatro mil irmãos, mas apenas 200 deles participam com frequência das reuniões e mesmo assim Marilena comemora. É um sucesso para uma cidade como esta, afinal, tenho de rezar para não chover, senão a maioria não consegue chegar. (Lílian Raà/Agência Estado)





