Aos avós, com carinho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Diz o ditado popular que avó é mãe com açúcar. Se mãe é algo maravilhoso, avó nem tem como descrever. Por serem tão queridos, os avós também ganharam um dia em sua homenagem: 26 de julho, amanhã!
A admiração não é à toa. Geralmente é na casa dos avós que as crianças podem escapar um pouco das regras dos pais. Mais pacientes e com mais experiência, os avós toleram mais as peraltices infantis e entendem que nem tudo precisa ser levado tão a sério. Mas os avós também sabem chamar a atenção quando necessário e são um apoio para pais e filhos. Alguns vovôs e vovós, inclusive, criam um cantinho especial em suas casas só para ter todo mundo por perto.
É no "palácio verde" que Vitória, de 15 anos, Eduardo, de 13, Luiz Guilherme, de 12, Luiz Arthur, de 8, Maria Clara, de 8, Maria Luiza, de 4, e Heitor, de 2, se reúnem todos os sábados. "Palácio verde" é como carinhosamente apelidaram a casa dos avós Luiz Souza Cangussú, de 58, e Wilia Valério Cangussú, de 54, devido à cor das paredes externas e vidros. O corretor de imóveis e a auxiliar de enfermagem gostam tanto de reunir os netos que até criaram um espaço em casa só para eles.
"Tudo foi pensado neles, na verdade. Nós morávamos em apartamento e quando juntava todo mundo era uma loucura. Então nos mudamos para cá. Escolhemos um lugar com bastante área de lazer e temos dois quartos só para eles, o das meninas e o dos meninos. Geralmente, eles vêm na sexta-feira à noite e já ficam", conta Wilia.
Na sala de televisão, a mesa de centro é uma prova de que os netos são os reis do "palácio". Já antigo e de madeira, o móvel é firme e resistente, justamente para "aguentar" as crianças. Abrindo as gavetas, os meninos vão mostrando livros infantis, dominó e vários brinquedos, que ficam ali à espera deles. Futebol, piscina e filmes são algumas das atividades que as crianças curtem na companhia dos avós.
Outro prazer é viajar juntos. Uma dessas viagens rendeu uma história que até hoje é lembrada por todos e motivo de muitas risadas. "Viajávamos de carro e de repente o mato balançou. O Luiz inventou que era um tuc tuc - um tatu, e a criançada ficou procurando. Depois fomos vendo outros bichos pelo caminho e o avô foi dando nome e inventando uma longa história, com toda a bicharada. Aquilo foi tomando uma proporção e ninguém aguentava mais. Na volta foi a mesma coisa. No ano seguinte, em uma outra viagem, quando ele começou a contar novamente, fiquei brava, entrei na história e acabei matando a bicharada toda", diz a avó, rindo.
Engana-se quem pensa que com tanto carinho a casa dos avós é território livre para bagunça. Wilia conta que muitas vezes ela acaba brigando com os filhos para que eles corrijam as crianças. "A criança de hoje é o adulto de amanhã. Deixamos à vontade, mas colocamos regras", pondera.
A neta Vitória conta que costuma ir na casa dos avós paternos também, mas que o sábado é dia de se reunir com os primos. "Acabamos vindo mais para cá porque sabemos que todos virão também", afirma.
Ana Paula Cangussú, mãe de Vitória, Luiz Guilherme e Maria Luiza, conta que sua infância também foi assim, rodeada pelos primos. "Morávamos na mesma rua da minha tia, estávamos sempre juntos, viajávamos juntos. É natural nossos filhos também crescerem assim", aponta.

Continue lendo:
- Companhia para todas as horas
- Ela transita entre várias gerações


